O Pantanal abriga cerca de 170 espécies de répteis. Neste guia, você conhece 11 delas, da sucuri-amarela ao jacaré-do-pantanal, com dados de pesquisa e dicas de observação.
O Pantanal é um dos biomas mais ricos em répteis do Brasil: estima-se que cerca de 170 espécies ocorram na região, segundo levantamentos da Embrapa Pantanal e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Entre serpentes, lagartos, quelônios e crocodilianos, algumas se destacam pela abundância ou pelo papel ecológico. Conheça 11 espécies de répteis que habitam o Pantanal e os dados que o monitoramento científico revela sobre cada uma.
1. Sucuri-amarela (Eunectes notaeus)
A sucuri-amarela é a maior serpente do Pantanal, podendo ultrapassar 4 metros de comprimento. Diferente da sucuri-verde da Amazônia, ela prefere áreas alagadas sazonalmente e se alimenta de capivaras, jacarés e aves aquáticas. Estudos de telemetria conduzidos pelo Instituto de Pesquisas do Pantanal mostram que cada indivíduo ocupa um território de até 10 km² ao longo dos corixos.
2. Jacaré-do-pantanal (Caiman yacare)
O jacaré-do-pantanal é o crocodiliano mais abundante da região, com densidades que chegam a 100 indivíduos por km² em algumas áreas. Ele regula populações de peixes e capivaras. Pesquisas da UFMT indicam que a espécie se reproduz em ninhos de vegetação acumulada, onde a fêmea deposita entre 20 e 40 ovos.
3. Teiú (Salvator merianae)
O teiú é o maior lagarto do Pantanal, com até 1,5 metro da ponta do focinho à cauda. Onívoro, alimenta-se de frutos, ovos, pequenos vertebrados e carniça. Um estudo de longo prazo na RPPN Sesc Pantanal registrou que os teiús passam até 8 meses do ano em hibernação durante a seca, emergindo com as primeiras chuvas.
4. Camaleão-pantaneiro (Polychrus acutirostris)
Apesar do nome popular, esse lagarto pertence à família dos iguanídeos, não aos camaleões verdadeiros. Ele mede cerca de 30 cm e possui cauda preênsil, que usa para se deslocar entre galhos finos. O camaleão-pantaneiro se alimenta de insetos e pequenos artrópodes, sendo mais ativo ao amanhecer. Ocorre em matas de galeria e bordas de capão.
5. Jararaca-do-pantanal (Bothrops mattogrossensis)
Essa jararaca é a serpente peçonhenta mais comum no Pantanal. Pode atingir 1,2 metro e possui padrão de manchas triangulares que a camufla na serapilheira. Dados do Instituto Butantan indicam que seu veneno é hemotóxico, mas acidentes são raros quando a espécie não é molestada. Ela controla populações de roedores.
6. Jabuti-piranga (Chelonoidis carbonaria)
O jabuti-piranga é um quelônio terrestre de até 40 cm de comprimento de casco. Alimenta-se de frutos caídos, fungos e carniça, atuando como dispersor de sementes. Na estação seca, ele escava abrigos no solo para evitar a desidratação. O monitoramento na região de Corumbá mostra que a espécie é mais ativa entre outubro e março.
7. Cágado-de-barbelas (Phrynops geoffroanus)
Esse cágado de água doce tem pescoço longo e cabeça achatada, com manchas amarelas características. Vive em rios e lagoas permanentes, alimentando-se de peixes, moluscos e carniça. Um estudo publicado na revista Herpetologica registrou que a espécie pode permanecer submersa por até 40 minutos durante a forragem.
8. Víbora-do-pantanal (Dracaena paraguayensis)
Também chamada de lagarto-jacaré, essa espécie é um lagarto semi-aquático que habita margens de rios e brejos. Mede até 1 metro e possui cauda comprimida lateralmente, adaptada para natação. Alimenta-se exclusivamente de caramujos aquáticos, quebrando as conchas com dentes molariformes. É endêmica do Pantanal e de áreas adjacentes.
9. Cobra-papagaio (Corallus hortulanus)
Essa serpente arborícola não peçonhenta atinge cerca de 1,5 metro e possui coloração que varia do verde ao amarelo, com manchas escuras. É noturna e se alimenta de aves e pequenos mamíferos. Ocorre em matas ciliares e capões, onde usa a cauda preênsil para se fixar em galhos. Dados de campo indicam que a espécie é mais comum na sub-região da Nhecolândia.
10. Calango-verde (Ameiva ameiva)
O calango-verde é um lagarto diurno de até 50 cm, com corpo esguio e cauda longa. Habita áreas abertas e bordas de mata, onde corre rapidamente para capturar insetos e aranhas. Estudos de marcação e recaptura na região de Poconé mostram que a densidade pode chegar a 30 indivíduos por hectare em áreas de pastagem nativa.
11. Tartaruga-da-amazônia (Podocnemis unifilis)
Embora seja mais associada à bacia amazônica, a tartaruga-da-amazônia ocorre em rios do norte do Pantanal, como o Paraguai e o Cuiabá. Pode atingir 50 cm de carapaça e se alimenta de frutos e vegetação aquática. A espécie é ameaçada pela coleta de ovos e pela poluição dos rios. Programas de conservação do ICMBio monitoram suas populações na região.
Qual espécie observar no Pantanal?
Para quem visita o Pantanal com interesse em répteis, o jacaré-do-pantanal é o mais fácil de avistar em qualquer época do ano, especialmente em passeios de barco. O teiú aparece com frequência em trilhas durante a estação chuvosa. Já a sucuri-amarela exige sorte e guias experientes, pois passa a maior parte do dia submersa ou enrodilhada em margens de corixos.
Perguntas frequentes sobre répteis do Pantanal
Quantas espécies de répteis existem no Pantanal?
Estima-se que cerca de 170 espécies de répteis ocorram no Pantanal, segundo levantamentos da Embrapa Pantanal e da UFMS. Desse total, aproximadamente 30 são serpentes, 70 são lagartos e 20 são quelônios.
Qual a maior serpente do Pantanal?
A sucuri-amarela (Eunectes notaeus) é a maior serpente do Pantanal, podendo ultrapassar 4 metros de comprimento. Ela habita áreas alagadas e se alimenta de capivaras, jacarés e aves.
O jacaré-do-pantanal é perigoso para humanos?
O jacaré-do-pantanal (Caiman yacare) raramente ataca humanos. Acidentes ocorrem quando o animal é provocado ou quando pessoas se aproximam de ninhos. A convivência é segura com distância de pelo menos 5 metros.
Quais répteis do Pantanal são peçonhentos?
A jararaca-do-pantanal (Bothrops mattogrossensis) é a principal serpente peçonhenta da região. Cascavéis e corais também ocorrem, mas em menor densidade. O veneno da jararaca é hemotóxico e requer atendimento médico.
Onde encontrar o camaleão-pantaneiro?
O camaleão-pantaneiro (Polychrus acutirostris) vive em matas de galeria e bordas de capão, onde há vegetação densa. É mais ativo ao amanhecer e difícil de avistar devido à camuflagem.
Como identificar o teiú no Pantanal?
O teiú (Salvator merianae) é um lagarto grande, de até 1,5 metro, com corpo preto e manchas amarelas. Anda com a língua bífida para fora e é comum em trilhas durante a estação chuvosa, quando sai da hibernação.
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