Destinos Nacionais Atualizado em 31 de agosto de 2026 por Sérgio Tavares

O Pantanal abriga 324 espécies de plantas aquáticas. Este guia descreve 13 delas, da vitória-régia às macrófitas flutuantes, com critérios de identificação e função no bioma.

O Pantanal concentra 324 espécies de plantas aquáticas, número levantado pela SOS Pantanal. Elas não são apenas paisagem: sustentam a cadeia alimentar, filtram a água e oferecem abrigo para peixes, jacarés e aves. Este guia analisa 13 espécies, com critérios de identificação e o papel de cada uma no equilíbrio do bioma. A ordem parte das mais emblemáticas até as menos conhecidas, mas igualmente relevantes.

1. Vitória-régia (Victoria amazonica)

A vitória-régia é a planta aquática mais famosa do Pantanal. Suas folhas circulares podem alcançar até 2,5 metros de diâmetro, suficientes para sustentar o peso de uma criança pequena. As flores abrem à noite e mudam de cor, do branco ao rosa, em três dias. Ocorre em baías e corixos de águas calmas e rasas. Cada folha possui bordas elevadas, adaptação que evita o alagamento da superfície fotossintética.

2. Aguapé (Eichhornia crassipes)

O aguapé é uma macrófita flutuante com folhas arredondadas e inflorescências lilases. Forma grandes colônias que se deslocam com a correnteza. Em excesso, pode cobrir canais e prejudicar a navegação, mas em densidade natural serve de abrigo para alevinos e invertebrados. Suas raízes pendentes filtram partículas em suspensão, melhorando a transparência da água ao redor.

3. Salvinia (Salvinia auriculata)

A salvinia é uma samambaia aquática flutuante, com folhas cobertas por pelos que repelem água. Forma tapetes verdes que reduzem a evaporação e mantêm a temperatura da água estável. É sensível a mudanças na qualidade da água, por isso pesquisadores a usam como bioindicadora. Cada planta pode duplicar sua área em poucos dias sob luz intensa.

4. Camalote (Pontederia rotundifolia)

O camalote, também chamado de aguapé-redondo, tem folhas em formato de coração e flores azuladas. Cresce em margens de rios e lagoas, muitas vezes ancorado no sedimento. Suas raízes firmes ajudam a estabilizar o solo das margens, reduzindo a erosão. Serve de local de desova para peixes como o pacu e o piau.

5. Ninféia (Nymphaea amazonum)

A ninféia é parente próxima da vitória-régia, mas com folhas menores, de até 30 centímetros. Suas flores brancas ou rosadas flutuam sobre a água e abrem durante o dia. Diferente da vitória-régia, tolera águas mais turvas e com maior variação de nível. É comum em áreas de transição entre o rio e a várzea.

6. Cabomba (Cabomba furcata)

A cabomba é uma planta submersa com folhas finamente divididas, que formam tufos verdes ou avermelhados. Vive totalmente debaixo d'água, em profundidades de até 2 metros. Produz oxigênio durante a fotossíntese, mas seu papel principal é servir de refúgio para peixes jovens. Em aquários, é cultivada como planta ornamental, mas no Pantanal ocorre de forma espontânea.

7. Utricularia (Utricularia foliosa)

A utricularia é uma planta carnívora aquática sem raízes. Possui pequenas armadilhas que sugam larvas de mosquitos e microcrustáceos. Flutua livremente em águas rasas e produz flores amarelas que se elevam acima da superfície. Sua presença indica águas pobres em nutrientes, pois a carnivoria compensa a baixa disponibilidade de nitrogênio no sedimento.

8. Junco (Eleocharis mutata)

O junco é uma planta emergente que cresce em touceiras densas nas margens. Seus caules finos e verdes se elevam até 1 metro acima da água. Forma corredores que filtram sedimentos vindos das áreas agrícolas vizinhas. É um dos primeiros colonizadores de áreas alagadas após a seca, ajudando a reter nutrientes e a reduzir o assoreamento.

9. Mururé (Ipomoea carnea)

O mururé é um arbusto que tolera alagamento parcial. Suas flores rosadas em forma de trombeta atraem abelhas e beija-flores. Cresce em bordas de diques e canais, onde suas raízes profundas fixam o solo. Em períodos de cheia extrema, pode formar ilhas flutuantes que servem de plataforma para ninhos de jacarés.

10. Erva-de-bicho (Polygonum hydropiperoides)

A erva-de-bicho é uma planta herbácea com folhas lanceoladas e pequenas flores brancas ou róseas. Vive em águas rasas e margens úmidas, muitas vezes associada a áreas de pastagem alagada. Suas sementes são consumidas por aves como o tico-tico-do-banhado. É uma espécie pioneira que aparece logo após o recuo das águas.

11. Alface-d'água (Pistia stratiotes)

A alface-d'água forma rosetas de folhas felpudas que flutuam na superfície. Suas raízes longas ficam submersas e abrigam micro-organismos que servem de alimento para alevinos. Em densidades altas, pode reduzir o oxigênio dissolvido, mas em condições naturais mantém o equilíbrio com outros flutuantes. É uma das espécies mais dispersas do bioma.

12. Capim-arroz (Echinochloa polystachya)

O capim-arroz é uma gramínea alta que cresce em touceiras dentro da água ou em solos úmidos. Alcança até 2 metros e é um dos principais alimentos de capivaras e bovinos durante a cheia. Suas raízes formam uma rede que segura o solo e oferece abrigo para peixes pequenos. Em áreas de pecuária extensiva, é manejado como forragem natural.

13. Orelha-de-onça (Hydrocotyle ranunculoides)

A orelha-de-onça tem folhas arredondadas com bordas levemente recortadas, lembrando uma pata de felino. Flutua na superfície e pode formar tapetes densos em águas paradas. Suas flores minúsculas passam despercebidas, mas a planta é importante para a ciclagem de nutrientes. Em lagos artificiais, pode se tornar invasora, mas no Pantanal integra a vegetação nativa.

Como escolher uma planta aquática para identificar em campo?

Para quem estuda ou visita o Pantanal, o critério de escolha deve partir do ambiente: águas abertas pedem flutuantes como a vitória-régia e o aguapé; margens e áreas rasas favorecem emergentes como o junco e a erva-de-bicho. Leve uma lupa para observar estruturas reprodutivas, que são decisivas na identificação. Se o objetivo é monitoramento ambiental, priorize espécies bioindicadoras, como a salvinia e a utricularia.

Perguntas frequentes

Quantas espécies de plantas aquáticas existem no Pantanal?

O Pantanal possui 324 espécies de plantas aquáticas, segundo levantamento da SOS Pantanal. Esse número inclui flutuantes, submersas, emergentes e anfíbias, distribuídas em rios, baías, corixos e áreas alagáveis.

Qual a maior planta aquática do Pantanal?

A vitória-régia (Victoria amazonica) é a maior, com folhas de até 2,5 metros de diâmetro. Ela ocorre em águas calmas e rasas, geralmente em baías protegidas do vento.

As plantas aquáticas do Pantanal podem ser usadas em aquários?

Algumas espécies, como a cabomba e a alface-d'água, são usadas em aquários, mas é necessário adquirir mudas de fornecedores legalizados. A coleta no Pantanal é proibida sem autorização do órgão ambiental.

Por que as plantas aquáticas são importantes para os peixes?

Elas servem de abrigo contra predadores, local de desova e fonte de alimento direto ou indireto. Alevinos de espécies como pacu e piau dependem da vegetação submersa para sobreviver.

Como identificar uma planta aquática do Pantanal?

Observe o hábito: flutuante, submersa, emergente ou anfíbia. Depois, analise a forma das folhas, a cor das flores e o tipo de raiz. Uma lupa de 10x ajuda a ver estruturas pequenas, como os pelos da salvinia.

Existe risco de espécies invasoras no Pantanal?

Sim, espécies como o aguapé podem se tornar superabundantes em áreas com excesso de nutrientes. No Pantanal, o manejo natural das cheias costuma controlar essas populações, mas em ambientes alterados o risco aumenta.

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