Destinos Nacionais Atualizado em 17 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

O Pantanal reúne vegetação de Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica. São 7 tipos principais: mata ciliar, cordilheira, cerradão, campo limpo, campo sujo, vereda e brejo. Cada um abriga espécies adaptadas ao pulso de inundação.

O Pantanal não é uma planície homogênea de gramíneas. Quem sobrevoa a região enxerga um mosaico de verdes: matas fechadas ao longo dos rios, faixas de árvores em cordões arenosos, campos abertos que se alagam na cheia e veredas com buritis. São 7 tipos de vegetação que caracterizam o Pantanal, cada um com espécies e dinâmicas próprias. Essa diversidade é resultado da confluência de três biomas, Cerrado, Amazônia e Mata Atlântica, que emprestam sua flora à planície. Entender essas fitofisionomias ajuda a compreender como a fauna se distribui e como o bioma responde ao pulso de inundação anual.

1. Mata ciliar

Acompanha os rios permanentes, como o Paraguai, o Cuiabá e o Taquari. É uma faixa de floresta densa que protege as margens da erosão e mantém a umidade mesmo na seca. Espécies comuns incluem o jenipapo (Genipa americana), o ingá (Inga spp.) e o cambará (Vochysia divergens). Durante a cheia, a mata ciliar serve de refúgio para mamíferos como a capivara e a ariranha. Dados da Embrapa Pantanal indicam que essas matas cobrem cerca de 10% da área total do bioma.

2. Cordilheira

Não são montanhas, mas cordões arenosos alongados que se elevam alguns metros acima da planície. Formam ilhas de floresta estacional semidecidual, com árvores de até 15 metros, como o aroeira (Myracrodruon urundeuva) e o angico (Anadenanthera spp.). A cordilheira é a principal área de nidificação de aves como o tuiuiú (Jabiru mycteria). O solo arenoso e bem drenado permite que essas manchas de mata permaneçam secas durante a inundação.

3. Cerradão

Formação florestal densa típica do Cerrado, com árvores de 10 a 15 metros, troncos tortuosos e casca grossa. No Pantanal, ocorre em manchas sobre solos mais profundos e bem drenados, especialmente na região de planalto. Espécies como o pequi (Caryocar brasiliense), o baru (Dipteryx alata) e a lobeira (Solanum lycocarpum) são frequentes. O cerradão funciona como corredor ecológico entre o Pantanal e o Cerrado do entorno.

4. Campo limpo

Predomina nas áreas de vazante, onde a inundação dura de 2 a 4 meses. É composto basicamente por gramíneas, ciperáceas e ervas rasteiras, sem arbustos. Espécies como a grama-boiadeira (Axonopus purpusii) e o capim-mimoso (Reimarochloa brasiliensis) dominam. Durante a seca, o campo limpo é a principal pastagem natural para o gado pantaneiro e para herbívoros silvestres como o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus).

5. Campo sujo

Semelhante ao campo limpo, mas com arbustos e subarbustos esparsos, como o lixeira (Curatella americana) e o assa-peixe (Vernonia spp.). Ocorre em áreas de transição entre o campo limpo e as formações florestais. A cobertura arbustiva varia de 5% a 20%, o que oferece abrigo para aves como o seriema (Cariama cristata) e pequenos mamíferos. Estima-se que o campo sujo ocupe cerca de 20% da planície pantaneira.

6. Vereda

Áreas alagadas de forma permanente ou semipermanente, dominadas pelo buriti (Mauritia flexuosa). O buriti cresce em solos hidromórficos, com lençol freático próximo à superfície. A vereda forma um dossel aberto de 10 a 15 metros, com sub-bosque de gramíneas e ciperáceas. Funciona como berçário para peixes durante a cheia e como ponto de água para a fauna na seca. As veredas são especialmente comuns na borda leste do Pantanal, na transição com o Cerrado.

7. Brejo

Vegetação aquática e palustre que ocupa as depressões alagadas durante todo o ano ou por longos períodos. Inclui plantas flutuantes como o aguapé (Eichhornia crassipes), a erva-de-santa-luzia (Eclipta alba) e a vitória-régia (Victoria amazonica). Nos brejos, a decomposição da matéria orgânica produz gases como o metano, que borbulham na superfície. Esses ambientes são essenciais para a reprodução de peixes, anfíbios e aves aquáticas, como o cabeça-seca (Mycteria americana).

Como usar este conhecimento na prática

Se você visita o Pantanal, saber identificar esses 7 tipos de vegetação enriquece a observação da fauna e da paisagem. Para quem trabalha com conservação, o mapeamento dessas fitofisionomias orienta ações de restauração e monitoramento. Cada tipo de vegetação responde de forma diferente ao pulso de inundação e ao uso da terra. Preservar o mosaico, da mata ciliar ao brejo, é a chave para manter a resiliência do bioma.

Perguntas frequentes sobre a vegetação do Pantanal

Quantos tipos de vegetação existem no Pantanal?

A classificação mais aceita, proposta por pesquisadores da Embrapa e da UFMT, reconhece 7 tipos principais: mata ciliar, cordilheira, cerradão, campo limpo, campo sujo, vereda e brejo. Há variações regionais, mas essas são as fitofisionomias dominantes.

Qual a vegetação mais comum no Pantanal?

O campo limpo e o campo sujo juntos cobrem mais da metade da planície. São as formações abertas que sustentam a pecuária extensiva e a fauna herbívora.

O Pantanal tem árvores grandes?

Sim, especialmente nas matas ciliares e nas cordilheiras. Árvores como a aroeira e o jenipapo podem ultrapassar 20 metros de altura. O cerradão também tem porte florestal.

A vegetação do Pantanal muda com as estações?

Muda drasticamente. Na cheia, os campos ficam submersos e a vegetação aquática explode. Na seca, as gramíneas secam e as árvores perdem folhas nas formações estacionais.

O que é cordilheira no Pantanal?

São cordões de areia elevados que formam ilhas de mata densa. O nome vem da aparência de cordilheira quando vistos de longe. São áreas de refúgio para a fauna durante a inundação.

Qual a importância das veredas para o Pantanal?

As veredas funcionam como reservatórios naturais de água, abrigam o buriti e servem de berçário para peixes e aves. São pontos críticos de biodiversidade e indicadores de saúde do bioma.

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