# Área queimada no Brasil fica 31% abaixo da média histórica em 2025

> O Brasil registrou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, 31% abaixo da média histórica de 18,4 milhões de hectares. A Amazônia apresentou a menor área queimada em 41 anos, sendo o principal fator para a redução, conforme dados do MapBiomas.

*Eco Pantanal Extremo · Destinos Nacionais · 21 de julho de 2026 · Camila Resende*

O Brasil registrou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, uma redução de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões de hectares. Os dados são do MapBiomas e apontam a Amazônia como principal fator da queda, com a menor marca em 41 anos.

Quando a gente planeja uma viagem para o Pantanal ou qualquer outro bioma brasileiro, uma dúvida prática sempre aparece: será que a época da seca vai trazer fumaça e queimadas? Em 2025, os números trouxeram um alívio. O Brasil registrou 12,7 milhões de hectares queimados, uma redução de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões de hectares anuais, segundo a segunda edição do Relatório Anual do Fogo no Brasil, divulgado pelo MapBiomas.

Esse resultado interrompeu uma sequência de expansão das queimadas. E o principal motor dessa queda foi a Amazônia. Depois de ter alcançado, em 2024, a maior área queimada da série histórica, 15,8 milhões de hectares, o bioma registrou em 2025 a menor marca dos últimos 41 anos: 3,1 milhões de hectares. Para quem planeja visitar a região, isso significa menos risco de ver o céu encoberto por fumaça durante a estação seca.

## Como os biomas se comportaram em 2025

Apesar da queda geral, Amazônia e Cerrado continuam concentrando a maior parte das áreas queimadas no país. Juntos, os dois biomas respondem por 86% de toda a área atingida pelo fogo desde 1985, quando o monitoramento começou.

### Cerrado: o bioma mais afetado

O Cerrado permaneceu como o bioma mais afetado pelas queimadas em 2025, com 8,7 milhões de hectares queimados. É uma área maior que Portugal inteiro. Se você está pensando em visitar Chapada dos Veadeiros ou a Serra da Canastra, vale saber que o fogo no Cerrado não é novidade, ele faz parte da dinâmica natural do bioma. Mas a frequência atual preocupa os pesquisadores.

Segundo a pesquisadora Vera Laísa Arruda, do MapBiomas e do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), "no Cerrado, o fogo faz parte da dinâmica natural do bioma, mas a incidência atual, marcada por eventos mais frequentes e extensos, pode ultrapassar a capacidade de recuperação da vegetação. Quando esse regime se intensifica, aumentam os riscos de perda de biodiversidade e degradação do bioma".

### Pantanal: a maior queda proporcional

O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre todos os biomas. Foram apenas 121 mil hectares queimados, uma queda de 85,6% em relação à média histórica. Para quem programa um safári fotográfico na região, essa é uma notícia excelente. Em 2024, o Pantanal sofreu com incêndios devastadores; em 2025, a recuperação foi visível.

### Caatinga: o único bioma acima da média

A Caatinga foi o único bioma que registrou área queimada acima da média no ano, com 505 mil hectares. Se você planeja visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara ou a Chapada Diamantina, é bom ficar atento ao calendário de estiagem.

## O que os números revelam sobre o comportamento do fogo

O relatório do MapBiomas trouxe, pela primeira vez, dois indicadores que ajudam a entender melhor o comportamento das queimadas: a severidade potencial (baixa, moderada, alta, muito alta ou extrema) e o intervalo de retorno do fogo (número de anos entre as ocorrências em uma mesma área).

Quando considerado todo o país, 64% da área queimada teve severidade moderada ou baixa. Porém, na análise específica por bioma, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal registraram metade ou mais da metade da área queimada com severidade alta e muito alta. Ou seja, quando o fogo atinge esses biomas, ele tende a ser mais intenso.

Outro dado importante: 64% de toda a área queimada no país desde 1985 foi atingida pelo fogo mais de uma vez. Entre essas áreas, mais da metade voltou a queimar em até quatro anos. A Amazônia apresentou os menores intervalos de recorrência: 31,6% das áreas queimadas no bioma voltaram a pegar fogo em até dois anos.

O pesquisador do MapBiomas Fogo, Luiz Felipe Martenexen, explica que "na Amazônia, onde a vegetação não é adaptada ao fogo, intervalos tão curtos entre os eventos reduzem o tempo de recuperação da floresta e aumentam o risco de novos incêndios, mais intensos e degradantes".

## Onde o fogo mais acontece: estados e municípios

O levantamento mostra que Mato Grosso, Pará e Maranhão concentraram 47% de toda a área queimada no Brasil desde 1985. Os três estados acumulam, respectivamente, 45,1 milhões, 31,6 milhões e 20,7 milhões de hectares queimados no período. Para quem viaja por essas regiões, especialmente durante a seca (junho a outubro), é bom consultar os alertas de queimadas antes de definir o roteiro.

Em nível municipal, 11% de toda a área atingida pelo fogo no país está concentrada em apenas 15 municípios. Corumbá (MS) e São Félix do Xingu (PA) lideram o ranking histórico. Corumbá é a porta de entrada para o Pantanal sul-mato-grossense, um destino incrível, mas que exige planejamento cuidadoso na época de estiagem.

## Fogo em vegetação nativa vs. áreas humanas

Segundo o relatório, 71,5% de toda a área queimada entre 1985 e 2025 ocorreu em vegetação nativa, enquanto 28,5% atingiram áreas com atividades humanas, como pastagens e áreas agrícolas. A distribuição varia entre os biomas. Na Amazônia e na Mata Atlântica, o fogo ocorre predominantemente em áreas modificadas pela ação humana, principalmente pastagens. Já na Caatinga, no Cerrado, no Pantanal e no Pampa, mais de 80% das áreas queimadas correspondem à vegetação nativa.

Isso significa que, em biomas como o Cerrado e o Pantanal, o fogo atinge diretamente a vegetação original, o que tem impacto direto na biodiversidade e na experiência de quem visita essas áreas.

## O que os dados significam para o viajante

Para quem está planejando uma viagem para regiões de vegetação nativa, entender o comportamento do fogo ajuda a escolher a melhor época. A diretora de Ciência do Ipam e coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar, resume bem: "saber onde o fogo é recorrente, com que frequência ele retorna, qual é sua severidade potencial e quais áreas estão queimando mais ou menos é essencial para definir prioridades, orientar ações preventivas e implementar, de forma mais eficiente, a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo".

Na prática, para o viajante, os meses de pico de queimadas no Brasil vão de agosto a outubro. Em 2025, a redução foi significativa, mas o histórico mostra que o fogo é recorrente. Antes de marcar a viagem, vale a pena consultar os dados do MapBiomas e os alertas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) para escolher a janela ideal.

## Perguntas Frequentes

### Qual foi a área queimada no Brasil em 2025?

O Brasil registrou 12,7 milhões de hectares queimados em 2025, uma redução de 31% em relação à média histórica de 18,4 milhões de hectares anuais.

### Qual bioma queimou mais em 2025?

O Cerrado foi o bioma mais afetado, com 8,7 milhões de hectares queimados. A Amazônia, por outro lado, registrou a menor área em 41 anos: 3,1 milhões de hectares.

### O Pantanal teve muitas queimadas em 2025?

Não. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre todos os biomas, com apenas 121 mil hectares queimados, uma queda de 85,6% em relação à média histórica.

### Qual estado mais queimou desde 1985?

Mato Grosso lidera o ranking, com 45,1 milhões de hectares queimados desde 1985, seguido por Pará (31,6 milhões) e Maranhão (20,7 milhões).

### O fogo atinge mais vegetação nativa ou áreas humanas?

71,5% de toda a área queimada entre 1985 e 2025 ocorreu em vegetação nativa. Na Caatinga, Cerrado, Pantanal e Pampa, mais de 80% das áreas queimadas são de vegetação nativa.

### O que é o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas?

É um levantamento que reúne informações sobre áreas queimadas no Brasil entre 1985 e 2025, divulgado pelo MapBiomas. A segunda edição, de 2025, trouxe pela primeira vez indicadores de severidade potencial e intervalo de retorno do fogo.

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/destinos-nacionais/area-queimada-brasil-fica-31-abaixo-media-historica-2025/
