Dicas de Viagem Atualizado em 26 de agosto de 2026 por Sérgio Tavares

Diante de enchentes recorrentes, especialistas propõem a bacia-esponja: tratar a bacia hidrográfica como unidade de planejamento, protegendo nascentes e margens para retardar o escoamento e reduzir inundações.

Enchentes recentes em diferentes regiões do Brasil reacenderam o debate sobre como lidar com extremos climáticos, que têm a mesma origem: o aquecimento global. Diante desse cenário, especialistas propõem uma alternativa chamada bacia-esponja, que trata a bacia hidrográfica como unidade de planejamento para reduzir inundações.

A bacia-esponja adapta o conceito de cidade-esponja, difundido pelo arquiteto chinês Yu Kongjian no início dos anos 2000. Em vez de focar apenas nas cidades, a proposta trata os próprios cursos dos rios, usando soluções baseadas na natureza para absorver, reter e reutilizar a água da chuva.

Segundo Cecília Herzog, paisagista urbana da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (Recn), "a água não respeita as nossas decisões políticas ou nossas convenções e fronteiras, o limite da natureza é outro, tem os seus processos e fluxos que correm na paisagem". Ela defende que a gestão deve começar na cabeceira e terminar na foz, incluindo as áreas periféricas que impactam o fluxo.

Juliana Baladelli Ribeiro, gerente da Fundação Grupo Boticário e especialista em soluções baseadas na natureza, explica que "o excesso de chuva que causa transtornos nas cidades muitas vezes não caiu diretamente ali. A água vem sendo acumulada ao longo da bacia hidrográfica, chegando pelos rios". Por isso, retardar o escoamento na estrutura do rio é mais eficaz do que agir apenas nos efeitos urbanos.

Na prática, as principais intervenções incluem proteger nascentes nas partes altas e recuperar florestas nas margens, mantendo a conectividade da vegetação pelos fluxos de água. Isso não exclui ações nas cidades, como parques urbanos, jardins de chuva e praças úmidas, que ajudam a água a voltar aos poucos ao fluxo natural.

As especialistas destacam que a gestão integrada já mostra resultados em vários países, mas alertam: "Não podemos pensar em importar modelos. É necessário pensar como a gente vai transformar essas paisagens de extremamente vulneráveis a paisagens mais resilientes, cocriando com o conhecimento local", diz Cecília. Cada região exige soluções adequadas aos seus fatores naturais.

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