Dicas de Viagem Atualizado em 28 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

Em debate na 78ª Reunião Anual da SBPC, pesquisadores alertam que o Brasil precisa definir contrapartidas para receber data centers, evitando repetir lógica histórica de exploração de recursos sem benefícios ao desenvolvimento nacional.

A expansão dos data centers no Brasil exige planejamento, transparência e regras que garantam benefícios ao país e reduzam impactos socioambientais. A avaliação foi feita por pesquisadores em um debate realizado nesta segunda-feira (27), em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, como parte da programação da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Pesquisadores defendem que o Brasil precisa garantir contrapartidas para receber data centers, como políticas públicas, monitoramento e participação da comunidade científica. A avaliação foi feita durante a 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói, com alertas sobre consumo de energia, soberania digital e riscos de colonialismo digital.

O alerta dos pesquisadores sobre a instalação de data centers

Os professores Mauro Oliveira, do Instituto Federal do Ceará (IFCE), e Dan Levy, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), defenderam que a instalação de grandes centros de processamento de dados precisa ser acompanhada de políticas públicas e maior participação da comunidade científica.

Para Mauro Oliveira, o Brasil corre o risco de repetir uma lógica histórica de exploração de recursos naturais sem garantir contrapartidas para o desenvolvimento nacional.

"O problema não é receber data centers. O problema é receber esses investimentos sem negociação. O Brasil precisa definir o que quer exigir em troca", disse Mauro.

Consumo de energia e soberania digital em xeque

Segundo o pesquisador, a discussão sobre data centers ainda está restrita a poucos setores e deveria mobilizar universidades, governo e sociedade. Ele argumentou que esses empreendimentos trazem desafios relacionados ao consumo de energia, à soberania digital e ao controle da infraestrutura tecnológica.

Oliveira citou o projeto de instalação de um grande data center voltado à inteligência artificial no Ceará. Segundo ele, a unidade deverá consumir cerca de 300 megawatts de potência, demanda equivalente à capacidade de abastecimento de milhões de pessoas.

"O mundo, hoje, não consegue produzir energia suficiente para atender à demanda projetada pelos data centers de inteligência artificial", disse.

Transparência e monitoramento como exigências

Além da energia, Oliveira defendeu que o país estabeleça mecanismos permanentes de monitoramento, auditoria e transparência sobre os projetos.

"O papel das universidades é participar desse debate. Não somos contra os data centers. Somos contra a ausência da universidade na discussão sobre as condições em que eles estão sendo implantados", disse.

Impactos ambientais vão além da energia

Sob a perspectiva do direito ambiental, Dan Levy argumentou que os impactos provocados pelos data centers vão além do consumo de água e energia. Segundo ele, também devem ser considerados efeitos como poluição sonora, pressão sobre recursos naturais, conflitos territoriais, desigualdades sociais e riscos para comunidades vulneráveis.

"A transição digital e a transição ecológica não podem ser tratadas como processos independentes. É preciso incorporar critérios de sustentabilidade, transparência e participação social", defendeu o pesquisador.

Segundo Levy, as comunidades diretamente afetadas precisam participar das decisões relacionadas à implantação desses empreendimentos e não apenas arcar com seus impactos.

Colonialismo digital e o papel do Sul Global

O pesquisador também associou a expansão dos data centers ao conceito de colonialismo digital, segundo o qual países do Sul Global passam a fornecer recursos naturais, como energia, água e território, para sustentar a infraestrutura tecnológica das grandes empresas do Norte Global.

"A gente não é contra o desenvolvimento. A questão é como esse desenvolvimento é realizado e quem suporta seus custos", concluiu.

Perguntas Frequentes

O que a SBPC discutiu sobre data centers?

Na 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói, pesquisadores debateram a necessidade de contrapartidas para instalação de data centers no Brasil.

Quais são os principais riscos dos data centers?

Consumo elevado de energia, impactos ambientais, soberania digital e risco de colonialismo digital.

O que é colonialismo digital?

É quando países do Sul Global fornecem recursos naturais para sustentar a infraestrutura tecnológica de empresas do Norte Global.

Quem participou do debate na SBPC?

Os professores Mauro Oliveira (IFCE) e Dan Levy (Unifesp) foram os debatedores.

Qual a demanda de energia de um data center de IA?

Um projeto no Ceará deve consumir cerca de 300 megawatts, equivalente ao abastecimento de milhões de pessoas.

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