# Brasil promete restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030

> Brasil comprometeu-se a restaurar 163 mil km² de terras degradadas até 2030, meta apresentada na COP17 em Ulaanbaatar, Mongólia. A iniciativa abrange recuperação de vegetação nativa e sistemas agroflorestais, visando a Neutralidade da Degradação da Terra (LDN). O anúncio formaliza as primeiras metas brasileiras para o combate à desertificação e à perda de produtividade do solo.

*Eco Pantanal Extremo · Dicas de Viagem · 25 de agosto de 2026 · Sérgio Tavares*

O Brasil apresentou as primeiras metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN) na COP17, prometendo restaurar mais de 163 mil km² até 2030. O anúncio ocorreu em Ulaanbaatar, na Mongólia, e inclui recuperação de vegetação nativa e sistemas agroflorestais.

O Brasil apresentou nesta terça-feira (25) as primeiras metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN, na sigla em inglês), com a promessa de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados (km²) até 2030. O anúncio ocorreu durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia.

Para atingir o número, estão previstas iniciativas de recuperação da vegetação nativa, investimento em sistemas agroflorestais e ações em unidades de conservação, territórios indígenas, áreas de preservação permanente e bacias hidrográficas. As metas LDN são compromissos voluntários para garantir aumento ou manutenção de terras saudáveis e produtivas.

O Brasil usa como referência o ano de 2020, quando detinha 55,7 milhões de hectares com tendência à degradação. Para cumprir a neutralidade, precisa chegar em 2030 com, pelo menos, o mesmo número. Também estão previstas ações de prevenção, conservação e manejo sustentável em outros 3,51 milhões de km². Assim, o número oficial das metas LDN é de 3,67 milhões de km², somando restauração e conservação.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o Brasil tem sido proativo em favor da convenção, para que o grupo obtenha mais capacidade de mobilizar os países. "A cada dia que passa, crescem as áreas sujeitas à seca e à degradação da terra em vários países", disse, classificando a ação como decisiva para a cooperação internacional contra a desertificação.

A representante regional da UNCCD na América Latina e Caribe, Laura Meza, destacou que a meta voluntária posiciona a região como uma das com maior volume territorial de compromisso de sustentabilidade do solo. "Restaurar não tem apenas um impacto ambiental, tem impacto na agricultura e na restauração socioprodutiva", afirmou. A diretora adjunta da FAO, Nora Barahona, reforçou que o Brasil pode ser referência global: "Precisamos do apoio do Brasil para apoiar outros países-membros".

Dos 196 países membros da UNCCD, 131 comprometeram-se a estabelecer metas de LDN, mas a apresentação oficial do Brasil veio com quase 10 anos de atraso. O conceito foi formalizado pela ONU em 2015, e o processo de recebimento das metas começou em 2017. O Brasil instituiu em 2015 a Política Nacional de Combate à Desertificação (Lei nº 13.153), criando a Comissão Nacional de Combate à Desertificação (CNCD), que ficou inativa e foi extinta em 2019, sendo retomada em 2024 pelo Decreto nº 11.932.

O monitoramento desses compromissos será essencial para avaliar se a trajetória de restauração se confirma nos próximos anos, já que a meta depende de ações coordenadas entre governo, produtores e comunidades locais.

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/dicas-de-viagem/brasil-promete-restaurar-163-mil-km-terras-degradadas-ate-2030/
