# Chances do El Niño ser "muito forte" no final de 2026 chegam a 81%: análise

> A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) projeta 81% de chance de o El Niño atingir intensidade "muito forte" no final de 2026. O fenômeno climático deve alterar padrões de chuva e temperatura no Brasil, exigindo preparo de agricultores e gestores públicos para impactos na agricultura e infraestrutura.

*Eco Pantanal Extremo · Dicas de Viagem · 09 de julho de 2026 · Beatriz Lemos*

As chances de o El Niño atingir intensidade "muito forte" no final de 2026 são de 81%, segundo a NOAA. O fenômeno deve alterar padrões de chuva e temperatura no Brasil, exigindo preparo de agricultores e gestores públicos.

O painel de alerta climático acendeu: as chances de o El Niño atingir intensidade "muito forte" no último trimestre de 2026 são de 81%, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O número, divulgado em maio de 2026, representa o maior risco já registrado para o fenômeno nesta fase do ano desde o início da série histórica da agência, em 1950. A projeção, baseada em modelos climáticos globais, sugere que o aquecimento anômalo das águas do Pacífico equatorial pode superar 1,5°C acima da média histórica, configurando um evento classificado como "muito forte".

Segundo a NOAA, as chances de o El Niño atingir intensidade "muito forte" (com anomalia de temperatura acima de 1,5°C no Pacífico equatorial) até o final de 2026 são de 81%. A previsão, divulgada em maio de 2026, considera dados de modelos climáticos globais e o histórico de eventos extremos.

## O que significa um El Niño "muito forte"?

A classificação "muito forte", ou "very strong", na nomenclatura oficial, é a mais alta na escala de intensidade do fenômeno climático ENOS (El Niño-Oscilação Sul). Ela é atribuída quando a anomalia de temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 (Pacífico equatorial centro-leste) ultrapassa 1,5°C por pelo menos três meses consecutivos. Em eventos históricos, como o de 1997-1998 e 2015-2016, essa condição desencadeou secas severas no Nordeste brasileiro e chuvas extremas no Sul.

A NOAA utiliza um conjunto de 30 modelos climáticos para gerar suas previsões sazonais. A probabilidade de 81% para o final de 2026 é a mais alta já registrada para o período de novembro a janeiro desde que a agência começou a divulgar essas projeções, em 2002. O recorde anterior era de 72%, registrado em maio de 2015, ano que culminou no El Niño 2015-2016, considerado um dos mais fortes do século.

## Impactos esperados no Brasil

Os efeitos de um El Niño intenso no Brasil não são uniformes. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) indicam que, em eventos de alta intensidade, as regiões Sul e Sudeste tendem a registrar volumes de chuva 30% a 50% acima da média histórica entre outubro e janeiro. Já o Norte e o Nordeste enfrentam redução de até 40% nas precipitações, com aumento do risco de incêndios florestais e estiagem prolongada.

No Centro-Oeste, a principal preocupação é com a safra de grãos. O plantio da soja, que ocorre entre setembro e novembro, pode ser prejudicado por chuvas irregulares no início do ciclo. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) já sinalizou, em nota técnica de abril de 2026, que monitora a evolução do fenômeno para ajustar o zoneamento agrícola e recomendar variedades mais resistentes ao estresse hídrico.

## A relação com o aquecimento global

O aumento da frequência e intensidade de El Niños muito fortes nas últimas décadas está associado ao aquecimento global. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a temperatura média global já subiu 1,1°C desde o período pré-industrial, e cada fração de grau a mais eleva a probabilidade de extremos climáticos.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apontam que o Oceano Pacífico tropical está, em média, 0,8°C mais quente do que no período 1950-1980. Isso significa que, mesmo sem um El Niño declarado, a base térmica do oceano já é mais elevada, o que pode amplificar os efeitos de qualquer aquecimento adicional.

## Comparação com eventos anteriores

O El Niño 2015-2016 é o mais próximo em magnitude do que se projeta para 2026. Naquele evento, a anomalia de temperatura chegou a 2,6°C em novembro de 2015, e os prejuízos globais foram estimados em US$ 150 bilhões pela Organização Meteorológica Mundial (OMM). O Brasil registrou perdas de R$ 12 bilhões na agricultura, principalmente nas lavouras de milho e feijão do Nordeste.

Se a projeção de 81% se confirmar, o El Niño 2026-2027 pode superar o recorde de 2015-2016 em duração e intensidade. A NOAA já alerta que o fenômeno pode persistir até março de 2027, com impacto prolongado sobre a safra de verão brasileira impacto do El Niño na agricultura brasileira.

## O que gestores e agricultores podem fazer

Diante do cenário, a recomendação de especialistas é de planejamento antecipado. A Embrapa sugere que produtores do Sul e Sudeste preparem sistemas de drenagem para lidar com o excesso de chuvas, enquanto os do Nordeste devem investir em reservação de água e culturas mais adaptadas à seca.

Para gestores públicos, a Defesa Civil recomenda a revisão de planos de contingência para enchentes e deslizamentos nas regiões Sul e Sudeste, além de campanhas de prevenção a queimadas no Norte e Nordeste. O governo federal já ativou, em maio de 2026, a Sala de Situação de Eventos Climáticos Extremos, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) plano de contingência climática 2026.

## Perguntas Frequentes

### O que é um El Niño "muito forte"?

É a classificação mais alta na escala de intensidade do fenômeno, quando a temperatura do Pacífico equatorial fica pelo menos 1,5°C acima da média por três meses consecutivos.

### Quais as chances do El Niño ser muito forte em 2026?

Segundo a NOAA, as chances são de 81% para o período de novembro de 2026 a janeiro de 2027.

### Quais regiões do Brasil serão mais afetadas?

Sul e Sudeste devem ter chuvas acima da média; Norte e Nordeste, seca severa. Centro-Oeste pode sofrer com irregularidade hídrica no plantio.

### El Niño muito forte é causado pelo aquecimento global?

O aquecimento global aumenta a probabilidade de eventos extremos, mas cada El Niño é um fenômeno natural. A base térmica mais quente do oceano amplifica seus efeitos.

### Como se preparar para o El Niño 2026?

Agricultores devem ajustar o calendário de plantio e escolher variedades resistentes. Gestores públicos precisam revisar planos de contingência para enchentes e secas.

### Quando o El Niño deve começar a afetar o Brasil?

Os primeiros sinais devem aparecer entre setembro e outubro de 2026, com pico de intensidade entre novembro de 2026 e janeiro de 2027.

### Qual a diferença entre El Niño e La Niña?

El Niño é o aquecimento anormal do Pacífico equatorial; La Niña é o resfriamento. Ambos alteram os padrões climáticos globais, mas de forma oposta.

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/dicas-de-viagem/chances-el-nino-ser-muito-forte-final-2026-chegam-81/
