# Comunidades criam soluções para crise climática, diz estudo

> O estudo do Greenpeace Brasil documenta que comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais desenvolvem soluções autônomas para enchentes, secas e ondas de calor. O relatório apresenta práticas de adaptação climática baseadas em saberes locais, como sistemas de drenagem natural, manejo agroecológico e redes de solidariedade. Essas iniciativas oferecem caminhos concretos para políticas públicas de resiliência.

*Eco Pantanal Extremo · Dicas de Viagem · 31 de julho de 2026 · Sérgio Tavares*

Comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais criam soluções próprias para enfrentar enchentes, secas e ondas de calor. Relatório do Greenpeace Brasil mostra caminhos para a adaptação climática baseada em comunidades.

## Comunidades criam soluções para mitigar efeitos da crise climática

As populações mais atingidas pelos eventos extremos no Brasil são as que enfrentam maiores barreiras para acessar políticas públicas e recursos de adaptação. Diante desse cenário, as comunidades vulnerabilizadas passaram a criar soluções próprias para as mudanças do clima, segundo o relatório "As soluções dos territórios: Adaptação Climática Baseada em Comunidades", elaborado pelo Greenpeace Brasil com apoio do Laboratório de Estudos do Clima e do Ambiente (UERJ) e da Brisa Soluções Ambientais.

## O que diz o relatório sobre adaptação climática

O estudo aponta que comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais estão entre as mais expostas a enchentes, secas e ondas de calor. Ainda assim, muitas já desenvolveram soluções próprias para enfrentar os impactos. O Greenpeace defende que esses territórios ocupem posição central na formulação das políticas de adaptação.

A coordenadora da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, reforça a necessidade de incorporar justiça climática e combate ao racismo ambiental às políticas públicas. "Em um país marcado por desigualdades históricas de acesso à moradia, saneamento, saúde, mobilidade e infraestrutura, os impactos dos eventos extremos tendem a se concentrar justamente nos territórios que já enfrentam maior precariedade", disse, em nota.

## Exemplos reais de soluções comunitárias

Em Recife (PE), comunidades como Ilha de Deus, Coque e Mustardinha enfrentaram alagamentos severos nos últimos anos. Já em Belém (PA) e na Ilha do Marajó (PA), a combinação de enchentes, marés altas, falta de drenagem e saneamento afeta principalmente indígenas, ribeirinhos e quilombolas.

No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, as temperaturas internas das moradias podem chegar a 8°C acima da média urbana, com sensação térmica superior a 60°C, afetando crianças, idosos e mulheres. No Vale do Jequitinhonha (MG), quilombolas enfrentam longas estiagens que prejudicam cultivos de milho, feijão e mandioca.

### Tecnologia de baixo custo no Amapá

Em Macapá (AP), o Coletivo Utopia Negra se uniu à comunidade da Vila do Carmo do Maruanum para instalar uma fossa séptica biodigestora (FSB). A tecnologia, de baixo custo e adaptável a áreas alagáveis, trata o esgoto por biodigestão e evita a contaminação do solo e da água.

### Mutirões e educação ambiental no Rio

Na comunidade do Horto, no Rio de Janeiro, o projeto Horto Natureza, fundado por um morador, realiza limpezas coletivas, plantio de árvores e educação ambiental. Cercada pela Mata Atlântica e cortada pelo Rio dos Macacos, a comunidade garantiu coleta regular de lixo, saneamento básico e despoluição do rio. "A limpeza contínua do rio e a gestão adequada de resíduos, realizadas em parceria com autoridades públicas, são resultado de um longo processo de organização comunitária que garantiu direitos fundamentais", avalia o Greenpeace.

### Plano comunitário em Pernambuco

A comunidade de Vila Arraes, em Recife (PE), elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas, coordenado pelo Espaço GRIS Solidário, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Houve formações com a Defesa Civil sobre protocolos de emergência durante enchentes do Rio Capibaribe e riscos de eletrocussão.

## O desafio do acesso a recursos

Um dos principais obstáculos é a dificuldade de acesso aos recursos da agenda climática. Segundo o Greenpeace, a maior parte é distribuída por instrumentos de crédito, o que dificulta o acesso por comunidades e organizações locais. A burocracia na elaboração, submissão, gestão e prestação de contas de projetos também é apontada como barreira.

"Ampliar a adaptação climática exige, portanto, não apenas aumentar o volume de recursos, mas mudar a forma como eles são distribuídos, garantindo acesso direto às comunidades e fortalecendo iniciativas que já funcionam nos territórios", afirmou Rodrigo Jesus, porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil.

Rodrigo acrescenta que as comunidades que vivem diariamente os efeitos da crise climática já acumulam conhecimento, práticas e soluções capazes de orientar políticas públicas mais eficazes. "O desafio, agora, é reconhecer esse protagonismo, garantir recursos e transformar experiências locais em políticas de escala nacional", finalizou.

## Perguntas Frequentes

### O que é adaptação climática baseada em comunidades?

É uma abordagem que coloca as comunidades locais no centro do desenvolvimento de soluções para enfrentar os impactos da crise climática, valorizando seus conhecimentos e práticas.

### Quais comunidades são mais afetadas por eventos extremos no Brasil?

Comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais estão entre as mais expostas a enchentes, secas e ondas de calor, segundo o relatório do Greenpeace Brasil.

### Como as comunidades têm criado soluções para a crise climática?

Com iniciativas como fossas sépticas biodigestoras, planos comunitários de contingência, mutirões de limpeza e educação ambiental, como nos exemplos de Macapá, Recife e Rio de Janeiro.

### Qual é o principal obstáculo para a adaptação climática comunitária?

A dificuldade de acesso aos recursos destinados à agenda climática, uma vez que a maior parte é distribuída por instrumentos de crédito, o que exclui comunidades e organizações locais.

### Por que a justiça climática é importante nas políticas de adaptação?

Porque os impactos dos eventos extremos tendem a se concentrar em territórios que já enfrentam precariedade histórica de moradia, saneamento, saúde e infraestrutura, como destaca Leilane Reis, do Greenpeace Brasil.

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/dicas-de-viagem/comunidades-criam-solucoes-mitigar-efeitos-crise-climatica/
