Episódio 'Cidade Selvagem, Fauna Urbana' vai ao ar nesta segunda (7), às 23h30, na TV Brasil. Programa mostra como a vida silvestre resiste na maior metrópole da América Latina, com 1.475 espécies catalogadas.
Quem mora em cidade grande e se pergunta se ainda há espaço para a vida selvagem encontra resposta no episódio desta semana do Caminhos da Reportagem. A edição "Cidade Selvagem, Fauna Urbana" vai ao ar nesta segunda-feira (7), às 23h30, na TV Brasil, com uma análise sobre a vida silvestre que ainda resiste, adaptando-se aos impactos da expansão urbana de São Paulo (SP). A premiada atração da emissora pública mostra iniciativas para recuperação e preservação da fauna e flora nativas na maior metrópole da América Latina.
Apesar da prevalência já estabelecida da espécie humana ter transformado profundamente a paisagem, a capital paulista ainda abriga vida selvagem sob o asfalto e acima dos prédios. Registros históricos e os nomes próprios de alguns lugares mantêm viva a memória da fauna nativa: M'Boi Mirim significa cobra pequena (como a Dormideira, Dipsas mikanii); o Rio Tamanduateí rememora o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla); o Tatuapé, o caminho do tatu (Dasypus novemcinctus).
Na edição, o programa mostra que essa relação ancestral é preservada na Terra Indígena Jaraguá, onde 45 famílias Guarani mantêm relação sustentável com o território. Liderança tradicional da Tekoa Yvy Porã, Márcio Mendonça Boggarim, ou Guarani Karaí Werá Mirim, destaca a relevância das abelhas nativas sem ferrão para a cultura local: "Todos os animais, para nós Guarani, são considerados sagrados. O Guarani se fortalece mentalmente por meio dessas espécies nativas, principalmente a Jataí [Melipona rufiventris]", afirma.
Outro entrevistado é o ornitólogo Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP). Ele comenta que a região era marcada por uma transição geográfica singular: "Tinha essa mescla de Mata Atlântica com campos naturais, tanto que a cidade, antes de chamar São Paulo, se chamava São Paulo dos Campos de Piratininga", informa.
A degradação histórica das matas também motivou iniciativas privadas. No extremo sul da cidade, dentro da APA Capivari-Monos, Jayme Roso reconstruiu, na década de 1960, uma área desmatada que deu origem à RPPN Sítio Curucutu. "Quando eu cheguei aqui não tinha nada. Acredito que tenha plantado umas 650 mil mudas", ilustra. A filha e gestora da reserva, Ana Roso, explica que o trabalho é feito hoje pelos próprios animais: a anta (Tapirus terrestris) come frutos maiores e dispersa as sementes, ajudando a reflorestar.
De acordo com o Inventário da Fauna Silvestre de São Paulo, o município conta com 1.475 espécies catalogadas, das quais 223 estão ameaçadas de extinção. Para socorrer a fauna vitimada pelo tráfico, atropelamentos, choques elétricos e linhas de pipa com cerol, o Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (Cemacas) opera em duas unidades: uma no Parque do Ibirapuera e outra no Refúgio de Vida Silvestre Anhanguera. O médico veterinário Felipe Lucato aponta a dimensão do trabalho: "O número anual de animais que a gente recebe é em torno de 13 mil. Na alta temporada, chegamos a receber até 2 mil animais por mês", conta.
O programa vai ao ar às segundas, às 23h30, com horário alternativo na madrugada para terça, às 3h. As edições ficam disponíveis no site do programa, no YouTube da emissora e no aplicativo TV Brasil Play, para Android e iOS.
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