Dicas de Viagem Atualizado em 07 de setembro de 2026 por Camila Resende

Episódio 'Cidade Selvagem, Fauna Urbana' vai ao ar nesta segunda (7), às 23h30, na TV Brasil. Programa mostra como a vida silvestre resiste na maior metrópole da América Latina, com 1.475 espécies catalogadas.

Quem mora em cidade grande e se pergunta se ainda há espaço para a vida selvagem encontra resposta no episódio desta semana do Caminhos da Reportagem. A edição "Cidade Selvagem, Fauna Urbana" vai ao ar nesta segunda-feira (7), às 23h30, na TV Brasil, com uma análise sobre a vida silvestre que ainda resiste, adaptando-se aos impactos da expansão urbana de São Paulo (SP). A premiada atração da emissora pública mostra iniciativas para recuperação e preservação da fauna e flora nativas na maior metrópole da América Latina.

Apesar da prevalência já estabelecida da espécie humana ter transformado profundamente a paisagem, a capital paulista ainda abriga vida selvagem sob o asfalto e acima dos prédios. Registros históricos e os nomes próprios de alguns lugares mantêm viva a memória da fauna nativa: M'Boi Mirim significa cobra pequena (como a Dormideira, Dipsas mikanii); o Rio Tamanduateí rememora o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla); o Tatuapé, o caminho do tatu (Dasypus novemcinctus).

Na edição, o programa mostra que essa relação ancestral é preservada na Terra Indígena Jaraguá, onde 45 famílias Guarani mantêm relação sustentável com o território. Liderança tradicional da Tekoa Yvy Porã, Márcio Mendonça Boggarim, ou Guarani Karaí Werá Mirim, destaca a relevância das abelhas nativas sem ferrão para a cultura local: "Todos os animais, para nós Guarani, são considerados sagrados. O Guarani se fortalece mentalmente por meio dessas espécies nativas, principalmente a Jataí [Melipona rufiventris]", afirma.

Outro entrevistado é o ornitólogo Luís Fábio Silveira, diretor do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZUSP). Ele comenta que a região era marcada por uma transição geográfica singular: "Tinha essa mescla de Mata Atlântica com campos naturais, tanto que a cidade, antes de chamar São Paulo, se chamava São Paulo dos Campos de Piratininga", informa.

A degradação histórica das matas também motivou iniciativas privadas. No extremo sul da cidade, dentro da APA Capivari-Monos, Jayme Roso reconstruiu, na década de 1960, uma área desmatada que deu origem à RPPN Sítio Curucutu. "Quando eu cheguei aqui não tinha nada. Acredito que tenha plantado umas 650 mil mudas", ilustra. A filha e gestora da reserva, Ana Roso, explica que o trabalho é feito hoje pelos próprios animais: a anta (Tapirus terrestris) come frutos maiores e dispersa as sementes, ajudando a reflorestar.

De acordo com o Inventário da Fauna Silvestre de São Paulo, o município conta com 1.475 espécies catalogadas, das quais 223 estão ameaçadas de extinção. Para socorrer a fauna vitimada pelo tráfico, atropelamentos, choques elétricos e linhas de pipa com cerol, o Centro de Manejo e Conservação de Animais Silvestres (Cemacas) opera em duas unidades: uma no Parque do Ibirapuera e outra no Refúgio de Vida Silvestre Anhanguera. O médico veterinário Felipe Lucato aponta a dimensão do trabalho: "O número anual de animais que a gente recebe é em torno de 13 mil. Na alta temporada, chegamos a receber até 2 mil animais por mês", conta.

O programa vai ao ar às segundas, às 23h30, com horário alternativo na madrugada para terça, às 3h. As edições ficam disponíveis no site do programa, no YouTube da emissora e no aplicativo TV Brasil Play, para Android e iOS.

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