# Especialistas defendem protagonismo indígena na restauração

> Especialistas em políticas ambientais defendem o protagonismo indígena na restauração de terras degradadas na Amazônia. O potencial de recuperação abrange 1,79 milhão de hectares, com apoio do sistema da Funai para gestão territorial. A iniciativa integra conhecimento tradicional e técnico, visando à regeneração florestal e à valorização dos direitos originários no Dia da Amazônia.

*Eco Pantanal Extremo · Dicas de Viagem · 07 de setembro de 2026 · Camila Resende*

No Dia da Amazônia, especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras degradadas. Entenda os números, o potencial de 1,79 milhão de hectares e o sistema da Funai.

No Dia da Amazônia, comemorado neste sábado (5), especialistas defendem protagonismo indígena na restauração de terras degradadas. A proposta vai além do plantio de árvores ou da recomposição da vegetação perdida: inclui proteger nascentes, aumentar a segurança alimentar, trazer de volta espécies usadas pelas comunidades, fortalecer conhecimentos tradicionais e gerar renda.

A discussão ganha peso quando o Brasil amplia metas de recuperação. Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, o país assumiu o compromisso de restaurar mais de 163 mil quilômetros quadrados até 2030. Parte desse esforço deve alcançar territórios indígenas.

Dados do TerraClass de 2022 mostram que as terras indígenas da Amazônia concentram 952,3 mil hectares de áreas degradadas, principalmente por pastagens. Outros 24,4 mil hectares são de agricultura e 18,9 mil hectares de mineração. Há ainda 840,5 mil hectares de vegetação secundária. Somadas, essas áreas representam potencial de restauração de 1,79 milhão de hectares.

Apesar das pressões, esses territórios seguem entre os mais conservados do país. Segundo o Relatório Anual do Desmatamento do MapBiomas, divulgado em 2026, apenas 1,7% de toda a perda de vegetação nativa no Brasil entre 2019 e 2025 ocorreu dentro de terras indígenas.

A indígena do povo Kaingang e especialista da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Diana Nascimento, diz que números de hectares recuperados não bastam para medir sucesso. É preciso participação ativa de quem vive nos territórios. "Quando os povos indígenas assumem o protagonismo da restauração, o território deixa de ser visto apenas como uma área onde precisamos recuperar vegetação", afirma.

Para ajudar no planejamento, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) desenvolveu um sistema integrado de informações, em parceria com a TNC Brasil, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e o programa britânico UK PACT. A ferramenta reúne dados sobre degradação, segurança hídrica, biodiversidade, clima e governança.

Guillermo Florez Montero, líder de Ciência de Dados da TNC Brasil, explica que o sistema permite combinar variáveis e atribuir pesos conforme os objetivos de cada projeto. O resultado é um índice comparativo que ajuda a indicar territórios prioritários. Mas o modelo não substitui a decisão das comunidades: "Se a liderança não quiser, isso deverá ser respeitado", garante.

A proposta está alinhada à Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) e ao Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), que prevê recuperar 12 milhões de hectares até 2030. Para Diana, fortalecer as comunidades é parte do processo: "Um território com governança fortalecida tem maior capacidade de conservar seus recursos naturais".

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/dicas-de-viagem/especialistas-defendem-protagonismo-indigena-restauracao-terras/
