Dicas de Viagem Atualizado em 27 de julho de 2026 por Joana Marques

A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para ajudar prefeituras a se prepararem para o El Niño, que tem 81% de chance de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro. O material gratuito reúne orientações para prevenção, resposta e recuperação de de

Vi com meus próprios olhos, numa trilha no Pantanal em 2024, o que um El Niño fora de época pode fazer com a paisagem. O solo rachado, as poças secas, o silêncio de aves que deveriam estar vocalizando. Agora, a ciência confirma o que os olhos já suspeitavam: o fenômeno pode voltar com força inédita nos próximos meses. E, desta vez, há um guia para quem precisa agir antes que o estrago se consume.

A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção e no enfrentamento dos efeitos do El Niño. Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027. São números que, para quem vive do turismo de natureza ou da gestão de áreas alagadas, soam como alerta vermelho.

Como o El Niño afeta cada região do Brasil

De acordo com a ABM, os efeitos podem variar de acordo com a região. Não existe receita única: o que é risco no Sul vira problema diferente no Nordeste.

Norte e Nordeste: seca e fogo

"Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas", explica a associação.

Para quem conhece a bacia do Pantanal, que nasce no Centro-Oeste mas drena parte do Norte, a redução de chuvas no bioma amazônico significa menos água descendo para as planícies alagadas. É um efeito dominó que começa meses antes.

Centro-Oeste: calor e incêndios no Pantanal

"No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal", complementa a ABM. Quem esteve em 2024 na região lembra das imagens de cinzas sobre a vegetação. O bioma que já foi o mais preservado do país virou alerta constante de fogo.

Sudeste: calor e chuva irregular

"No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas." Para quem mora em São Paulo ou Rio de Janeiro, isso pode significar dias de temperatura acima de 35°C seguidos de temporais localizados.

Sul: temporais e enchentes

"Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos." A região que já sofreu com enchentes históricas em 2024 precisa redobrar a atenção.

O que o guia da ABM recomenda

O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres.

Entre as recomendações estão:

  • Mapeamento de áreas de risco
  • Atualização de planos de contingência
  • Definição prévia de abrigos e equipes de atendimento
  • Organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais

A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.

Perguntas Frequentes

Quem lançou o guia de prevenção ao El Niño?

A Associação Brasileira de Municípios (ABM).

Qual a probabilidade de o El Niño ser muito forte?

81% de chance de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, segundo a NOAA.

Até quando o fenômeno pode durar?

Há 97% de chances de permanecer ativo até o início de 2027.

Como o El Niño afeta cada região?

Norte e Nordeste: seca e queimadas. Centro-Oeste: calor e incêndios. Sudeste: calor e chuvas irregulares. Sul: temporais e enchentes.

O guia é gratuito?

Sim, está disponível gratuitamente no portal da ABM.

Quais áreas da prefeitura devem se envolver?

Saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças.

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