# Mulheres indígenas reivindicam protagonismo como guardiãs da Amazônia

> Mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia reivindicam protagonismo como guardiãs do bioma. No TEDxAmazônia, no Equador, lideranças defenderam direitos da natureza e acesso igualitário a recursos. A atuação feminina fortalece a preservação territorial e a resistência cultural frente a pressões econômicas. O evento evidenciou demandas por reconhecimento político e financeiro das mulheres como agentes centrais na proteção da floresta.

*Eco Pantanal Extremo · Dicas de Viagem · 05 de setembro de 2026 · Sérgio Tavares*

Mulheres indígenas de diferentes povos reivindicam protagonismo na defesa da Amazônia. No TEDxAmazônia, no Equador, elas defenderam direitos da natureza e acesso a recursos.

Treze mulheres indígenas de diferentes povos da Amazônia encerraram a última edição do TEDxAmazônia, realizada pela primeira vez fora do Brasil, nas cidades de Banos e Puyo, no Equador, com um manifesto em defesa de seus corpos e territórios. À frente do grupo, a anciã do povo Shuar Catalina Chumpi pediu às águas das cachoeiras que dessem poder às suas "netas" para defender suas terras. O evento, realizado entre 27 e 30 de agosto, também teve um minuto de silêncio pelo líder Shuar Domingos Peas, em memória de defensoras e defensores da natureza assassinados.

Segundo o último relatório da organização Global Witness, a América Latina é o continente onde mais se matam defensores ambientais, e líderes indígenas são os mais vitimados. Em contraponto, palestrantes defenderam que as populações amazônicas são essenciais para a preservação do território e devem ter protagonismo garantido. A líder do povo Kichwa, Patricia Gualinga, defendeu a incorporação legal da cosmovisão indígena, tratando a natureza como um sujeito de direitos, não como fonte passiva de recursos. "Para nós, a natureza sempre teve direitos", declarou, citando a Constituição do Equador de 2008, pioneira nesse reconhecimento, e decisões como a proibição de mineração na Floresta Los Cedros em 2024.

Diana Chavez, diretora de Comunas do Fundo do Biocorredor Amazônico, destacou que menos de 1% do financiamento global para ações climáticas chega diretamente aos povos indígenas. Ela criticou a burocracia que impede o acesso a fundos: "A consulta te coloca na sala de espera, a governança te coloca na mesa de decisão". A administradora Esthela Noteno, também Kichwa, relatou como a contaminação por petróleo em Sucumbíos levou sua comunidade a arrendar terras para monocultura de taro. Durante a pandemia, ela criou uma agroindústria comunitária de extrato de guayusa, planta nativa da Amazônia, que hoje envolve 12 famílias e produz de 3 a 5 mil garrafas por mês.

O TEDxAmazônia reuniu 30 palestrantes indígenas e não indígenas. A coorganizadora Verônica Reed lembrou que 40% do território amazônico está em oito países além do Brasil. O organizador Rodrigo Cunha alertou para a urgência: "Estamos em um ponto de não retorno". O evento, que ocorreu em Banos e Puyo, porta de entrada para a floresta, reforçou que a conservação depende de políticas públicas e da participação indígena na governança.

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/dicas-de-viagem/mulheres-indigenas-reivindicam-protagonismo-como-guardias-amazonia/
