Dicas de Viagem Atualizado em 17 de setembro de 2026 por Beatriz Lemos

Pesquisa da Ipsos a pedido do Observatório do Clima ouviu 1.800 brasileiros e mostra que 91% consideram as mudanças climáticas importantes, mas o tema aparece em nono lugar entre as preocupações prioritárias da população.

Um levantamento feito com 1.800 brasileiros mostra que 91% dos entrevistados consideram importantes as mudanças climáticas e a adoção de medidas de preservação ambiental, e defendem que os candidatos às eleições de 2026 apresentem propostas para enfrentar o problema. Apesar disso, o tema aparece em nono lugar entre as principais preocupações da população, com 19% das menções.

A pesquisa "Clima e meio ambiente na percepção dos brasileiros", realizada pela Ipsos a pedido do Observatório do Clima, ouviu pessoas de todo o país, com 18 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de agosto, em questionário online com 32 perguntas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17).

Segurança pública e criminalidade lideram as preocupações, citadas por 49% dos entrevistados. Em seguida vêm o aumento do custo de vida ou a inflação (41%), a violência contra as mulheres e os feminicídios (36%) e a qualidade da saúde pública (34%). Mudanças climáticas e crise ambiental ficam em nono lugar, com 19%.

Para 62%, o tema é "muito importante" na agenda dos presidenciáveis. Outros números reforçam a percepção do problema: 87% concordam que as mudanças climáticas provocam secas, chuvas intensas e ondas de calor; 85% consideram que o fenômeno afeta o cotidiano dos brasileiros; 79% defendem que o tema seja priorizado mesmo com custos econômicos; e 76% entendem que ainda é possível evitar os impactos mais graves caso medidas sejam adotadas imediatamente.

O secretário executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, avalia que a maioria dos presidenciáveis tem planos fracos ou inexistentes para o tema. "Um dos candidatos, inclusive, é um negacionista convicto. A pesquisa mostra que os brasileiros querem compromissos dos candidatos na agenda climática, mas infelizmente não é o que está acontecendo", afirma.

Sobre as causas, 58% atribuem o fenômeno principalmente à atividade humana; 36% a uma combinação entre atividade humana e fenômenos naturais; e 5% a causas naturais. Quanto à responsabilidade pelo enfrentamento, 67% consideram que empresas e indústrias têm mais responsabilidade do que os cidadãos.

A coordenadora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, Suely Araújo, defende que a preocupação se converta em voto. "O esforço a ser feito é para que essa preocupação se reflita em votos que assegurem a eleição de candidatos que realmente incorporem esse tema em sua atuação. Em plena crise climática, não dá para aceitar negacionistas, declarados ou disfarçados, nem no Executivo, nem no Legislativo", afirma.

O levantamento também apontou desconhecimento sobre o papel do gás metano no aquecimento global. Embora seja muito mais potente que o CO2, a maioria (64%) atribuiu como principal fonte os aterros sanitários, lixões e a queima de combustíveis fósseis. No Brasil, o metano é emitido principalmente na pecuária.

Entre as políticas ambientais, 43% rejeitam a flexibilização das normas ambientais e consideram que os investimentos devem se adaptar à regulamentação vigente, o que indica que 4 em 5 pessoas defendem proteção ou cautela ambiental. A avaliação dos atores é majoritariamente negativa: 78% avaliam negativamente o papel das pessoas em geral, 75% o das empresas privadas e 71% o do governo brasileiro. Para o relatório, o problema é percebido como um déficit sistêmico, e a principal responsabilidade por liderar a mudança recai sobre o governo federal.

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