# Degelo e seca avançam sobre Ásia Central e pequenos países insulares

> Os relatórios da UNCCD apresentados na COP17 revelam que Ásia Central e pequenos países insulares sofrem degradação acelerada de solo e recursos hídricos. A região enfrenta perdas bilionárias e insegurança alimentar, com mais de 50 países sob pressão sem precedentes. Degelo e seca avançam, comprometendo ecossistemas e meios de subsistência locais.

*Eco Pantanal Extremo · Viagem Internacional · 26 de agosto de 2026 · Sérgio Tavares*

Relatórios da UNCCD lançados na COP17 alertam para pressões sem precedentes sobre recursos hídricos e solo em mais de 50 países. Ásia Central e pequenos países insulares enfrentam degradação acelerada, com perdas bilionárias e insegurança alimentar.

Dois relatórios lançados nesta quarta-feira (26) alertam que os pequenos países insulares em desenvolvimento (SIDS) e a Ásia Central estão sob pressões sem precedentes sobre recursos hídricos, saúde do solo e clima. No total, são mais de 50 países e territórios afetados. As publicações foram apresentadas na 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os textos integram o Global Land Outlook (GLO), principal publicação da convenção da ONU sobre a terra (UNCCD), que já teve duas edições gerais (GLO1 em 2017, GLO2 em 2022) e seis relatórios regionais, incluindo o da América Latina.

A Ásia Central, formada por Cazaquistão, Quirguistão, Tajiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, vê desaparecer a imagem de estepes vastas e oásis férteis. A região é um dos epicentros mundiais da degradação do solo: mais de 80 milhões de hectares, ou mais de um quarto do território, já estão degradados. O problema atinge 30% da população, cerca de 24 milhões de pessoas. A UNCCD calcula perdas anuais entre dois e seis bilhões de dólares. A região aquece duas vezes mais rápido que a média global, e as geleiras, antes as "torres de água" locais, encolheram 30% em cinquenta anos.

Os SIDS incluem 39 países e 18 territórios no Caribe, oceanos Pacífico, Atlântico e Índico, além do Mar do Sul da China. Cerca de 18,8 milhões de hectares, ou 16,5% da área total combinada, estão degradados, ligeiramente acima da média global. Mais de 70% enfrentam escassez de água, e 43% da área total são afetados pela seca; 3% sofreram seca severa e 6% seca extrema. A área com seca extrema cresceu 30% entre 1961/1970 e 2014/2023. Estima-se que 16,3 milhões de pessoas enfrentem insegurança alimentar grave, com 11,5 milhões subnutridas. Esses países recebem cerca de US$ 2 bilhões anuais em financiamento público para adaptação, apenas 0,2% do total global; pesquisadores estimam necessidade de pelo menos US$ 11,7 bilhões por ano, quase seis vezes o atual.

A secretária executiva da UNCCD, Yasmine Fouad, disse que, apesar das diferenças, Ásia Central e SIDS mostram vulnerabilidades, mas ainda podem melhorar. "A prioridade agora é acelerar esse progresso, ao investir na gestão responsável da terra, fortalecendo a cooperação regional e internacional e garantindo que as pessoas e os ecossistemas permaneçam no centro das decisões de desenvolvimento", afirmou. O monitoramento mostra um quadro delicado: cada espécie e cada ecossistema sustenta o equilíbrio do bioma, e os dados reforçam a urgência de ações coordenadas.

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