# Indígenas cobram participação nas decisões da COP da Desertificação

> A COP17 da Desertificação, em Ulaanbaatar, recebeu protestos de indígenas de vários países que cobram participação efetiva nas negociações oficiais. O espaço atual é criticado como simbólico, com pedidos de inclusão real nas decisões sobre políticas de combate à desertificação. A demanda central é por voz ativa nos processos decisórios, não apenas presença cerimonial.

*Eco Pantanal Extremo · Viagem Internacional · 25 de agosto de 2026 · Camila Resende*

Indígenas de vários países protestaram na COP17, em Ulaanbaatar, para participar das negociações oficiais. Eles criticam o espaço atual como simbólico e pedem inclusão real nas decisões.

Indígenas de diferentes partes do mundo protestaram nesta quinta-feira (20) para serem incluídos nas negociações oficiais da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que ocorre em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Eles consideram o espaço criado este ano para reuniões dentro do evento, o Caucus Indígena e de Comunidades Tradicionais, insuficiente por ser "meramente simbólico" e não permitir uma participação "significativa, plena e efetiva".

A líder da Associação das Mulheres Indígenas Peules do Chade (AFPAT), Oumarou Ibrahim Hindou, cobrou respeito dos governos presentes. "Nossa participação não pode ser meramente simbólica. Estamos aqui para reivindicar nossa terra e nossos territórios", disse. Os manifestantes também exigiram que a agenda oficial volte a incluir temas sobre gênero e participação social, excluídos a pedido dos Estados Unidos. A aprovação do documento exige consenso entre as 197 partes da convenção, e ele define o que será negociado pelos governos.

A líder quechua da nação Kuntur Wanka, do Peru, Sonia Astuhuamán Pardavé, defendeu que os indígenas são os principais guardiões da natureza. "Representamos comunidades inteiras e temos a chave para solucionar a crise da terra e a crise climática", afirmou. Ela questionou: "O que será do planeta se deixarmos que destruam tudo?"

Também foi publicada nesta quinta-feira, em evento paralelo, a Declaração de Ulaanbaatar: Apelo à Ação Global de Povos Pastoris e Indígenas. O documento destaca que essas comunidades são fundamentais para a conservação da biodiversidade e a segurança alimentar, e rejeita a ideia de que o pastoreio seja atrasado ou responsável pela desertificação. Entre as reivindicações está o reconhecimento dos direitos territoriais e da mobilidade como estratégia de adaptação climática.

A declaração pede que governos protejam corredores de circulação de pessoas e animais, inclusive entre fronteiras, e alerta para a perda de áreas de pastagem por mineração, energia, infraestrutura e agricultura. Também cobra acesso direto a recursos para adaptação e secas, sem intermediários, e fundos para restauração de pastagens e educação. Ao final, os participantes pedem que o documento seja incorporado aos resultados oficiais da COP17 e anunciam novo encontro global em 2030.

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Fonte (canonical): https://ecopantanalextremo.net.br/viagem-internacional/indigenas-cobram-participacao-decisoes-cop-desertificacao/
