Destinos Nacionais Atualizado em 02 de setembro de 2026 por Joana Marques

Em Caracaraí (RR), um projeto de conservação de 14 mil hectares une tecnologia, comunidades locais e certificação para tornar o mercado de carbono competitivo e sustentável.

Vi de perto como a floresta em pé pode competir com o desmate. Em Caracaraí, Roraima, um projeto de conservação de 14 mil hectares une tecnologia de monitoramento, inclusão social e certificação para garantir competitividade no mercado de carbono. A iniciativa é da ZEG (Zero Emission Goal), empresa paulista de soluções para descarbonização.

A área pertence a um produtor rural de soja de Goiás, que havia solicitado ao Estado autorização para desmatamento legal. Como Roraima concluiu o zoneamento ecológico-econômico em 2022, o proprietário poderia derrubar metade da floresta para plantar. A ZEG propôs um caminho alternativo: investir em conservação e comercializar os estoques de carbono.

O diretor-presidente da ZEG, Carlos Jacob, conta que o produtor inicialmente tinha dúvidas, mas acabou acreditando no projeto. A proposta incluía tecnologia de monitoramento, prevenção de incêndios, programa socioambiental para comunidades coletoras de castanha-do-Pará e certificação dos estoques de carbono. O proprietário cedeu o direito real de superfície da área por 40 anos, o tempo do contrato de comercialização.

A região é bioma amazônico, onde a reserva legal seria de 80%. Com o zoneamento, o desmate permitido cairia para 50%, liberando metade dos 14 mil hectares para soja. O colapso do mercado de conservação entre 2021 e 2023, causado por números superestimados e áreas sobrepostas a terras públicas, levou a empresa a buscar um modelo mais sólido.

Investiram R$ 20 milhões no empreendimento, incluindo certificação. Uma torre de 60 metros com câmera e inteligência artificial detecta focos de incêndio em até três minutos, alertando a equipe de campo. Os 20 funcionários locais foram treinados como brigada de incêndio, e duas áreas de assentamento vizinhas também receberam treinamento comunitário.

Cerca de 36 famílias extrativistas de castanha-do-Pará mantiveram sua atividade. João Inácio Neto, que coleta desde criança, temia perder o acesso à floresta. Com o projeto, as famílias se organizaram na Associação Agroextrativista do Município de Caracaraí (Agrocar), vendendo coletivamente para obter preços melhores. Eliane de Sena, secretária da Agrocar, conta que a venda conjunta trouxe mais organização e melhores resultados.

O estoque de carbono ainda não foi comercializado, mas o projeto já recebeu classificação AA pela agência BeZero, a primeira nota duplo A para um projeto de desmatamento evitado na Amazônia e no mundo. A certificação é da Verra, com auditoria da Earthwood, empresa indiana. "A gente usa a certificação da Verra, passa pela auditoria da Earthwood, que é uma empresa indiana, e, além dessas duas salvaguardas, a gente ainda tomou cuidado de pegar uma agência que vai certificar a qualidade", afirma Jacob.

Na trilha, aprendi que o bioma ensina quem sabe esperar. Aqui, a espera se traduz em floresta em pé, gerando renda para quem vive dela. mercado de carbono no Brasil conservação florestal na Amazônia

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