Destinos Nacionais Atualizado em 11 de setembro de 2026 por Sérgio Tavares

No Dia do Cerrado, o Inpe divulgou queda de 18,9% nos alertas de desmatamento do bioma em agosto. O dado trimestral confirma tendência de redução nos últimos três anos, mas a Amazônia preocupa.

O Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (Inpe) divulgou nesta sexta-feira (11), Dia do Cerrado, que os alertas de desmatamento no bioma caíram 18,9% em agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), o Cerrado perdeu 238 km² de vegetação nativa, contra 294 km² em agosto do ano anterior. É o segundo melhor resultado para um mês de agosto desde o início da série histórica, em 2018.

O dado trimestral, que segundo o Inpe demonstra melhor a tendência, também apontou queda. "No Cerrado, como um todo, a gente tem percebido, quando a gente olha para o dado trimestral, que essa redução vem com uma certa constância nos últimos três anos. Isso é fruto de um trabalho de engajamento do governo federal com os governos estaduais para reduzir esse desmatamento", afirmou Cláudio de Almeida, coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia e demais Biomas do Inpe.

O que os números do Deter mostram

Enquanto o Cerrado recuou, a Amazônia registrou aumento de 12,1% na área desmatada em agosto, saltando de 319 km² no ano passado para 358 km² em 2026. No trimestre de junho a agosto, porém, o resultado da Amazônia também caiu em relação ao ano anterior e representou o segundo melhor para o período na série histórica.

Cláudio de Almeida explicou à Agência Brasil que, apesar da tendência de queda no trimestre, o aumento em agosto acende um sinal de atenção. "Ainda é muito abaixo de níveis anteriores, mas é sempre uma preocupação de que isso saia do controle. O desmatamento é um eterno controle: você tem que estar sempre olhando para o que está acontecendo para evitar que você tenha um novo pico. Um mês [de variação] apenas pode ser simplesmente um período extraordinário, uma coisa diferente. Mas se isso se repete no mês seguinte, aí já acende uma luz amarela", disse.

Portarias e plataforma de monitoramento

O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, celebrou a queda no Cerrado, mas demonstrou preocupação com a Amazônia. Ele ressaltou que o aumento ocorreu principalmente no Pará, estado onde foram cessadas as ações de apoio da polícia com os órgãos de fiscalização ambiental. "Mesmo que nós saibamos que o dado de um mês no Deter não deva ser considerado como um indicador estruturado de tendência, já que três meses é o mínimo para a gente perceber um pouco como é que está essa avaliação, nós não podemos deixar de considerar que houve um aumento no mês de agosto e também não devemos deixar de considerar e de ter claro que esse aumento foi concentrado em um estado: no Pará", afirmou. "Mas estamos reorganizando a ação federal para traçar uma ação imediata e reverter essas regiões onde houve aumento no mês de agosto".

Na mesma data, o ministro assinou duas portarias. A primeira regulamenta as modalidades de pagamento por serviços ambientais. A segunda cria as Áreas Prioritárias de Recarga Hídrica no Bioma Cerrado (Aprhic), indicando regiões onde serão concentrados esforços de conservação e restauração.

"A portaria atualiza o paradigma da gestão dos recursos hídricos no Cerrado ao reconhecer, pela primeira vez em escala de bioma, o papel estratégico das áreas de recarga para a manutenção dos recursos hídricos e da segurança hídrica, especialmente nos períodos de seca", explicou Yuri Salmona, doutor em Ciências Florestais pela Universidade de Brasília (UnB) e diretor executivo do Instituto Cerrados.

Segundo Salmona, a medida ajudará a transformar "o conhecimento científico em orientação oficial para políticas públicas". Já o ministro destacou que o mecanismo permite organizar melhor os investimentos: "A grande dificuldade que nós temos é como otimizar o uso de recursos, tanto financeiros como humanos. Quando esse mecanismo apresenta as áreas prioritárias, isso permite organizar melhor os investimentos. Com isso, vamos melhorando a saúde de um bioma que vem sofrendo muito ao longo do tempo".

Para acompanhar os dados, foi lançada uma plataforma que permite visualizar as áreas prioritárias do Cerrado. "A plataforma transforma os dados científicos em inteligência espacial para apoiar decisões de gestores públicos, órgãos ambientais, comitês de bacia e sociedade civil", disse Salmona. O acesso está disponível em https://aprhc.cerrados.org/.

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