O governo federal vai investir R$ 1,3 bilhão para conter os impactos do El Niño. Estocagem de alimentos, monitoramento climático e ações de segurança hídrica estão entre as medidas anunciadas pela ministra Miriam Belchior.
El Niño: investimentos para conter impactos climáticos somam R$ 1,3 bi
O governo federal vai destinar R$ 1,3 bilhão em investimentos para reduzir os impactos do El Niño no Brasil. O anúncio foi feito pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, nesta quarta-feira (29), com previsões de gastos recentes e os planejados para o segundo semestre. As medidas incluem estocagem de alimentos, monitoramento climático, fiscalização ambiental e combate a incêndios.
O que o El Niño causa em cada região do Brasil
O fenômeno climático aumenta a temperatura no Oceano Pacífico e provoca alterações no clima de todo o país. Na prática, o El Niño provoca seca no Norte e Nordeste, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, e enchentes na região Sul. Por isso, as ações do governo são divididas por região.
Para a Região Sul, o foco é a Defesa Civil, com pronto atendimento a emergências e ações corretivas em barragens e diques, com ajuda de estados e municípios. Já para as regiões de seca, houve ampliação no número de brigadistas federais e aquisição de equipamentos para prevenção e combate a incêndios florestais.
Estoque de alimentos: 180 mil toneladas de milho e 310 mil de arroz
Uma das frentes mais concretas é a compra de alimentos para compor os estoques públicos. O governo vai adquirir 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz. Além disso, serão compradas 350 mil cestas de alimentos para povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
Essa estocagem tem impacto direto no consumidor: com estoques cheios, a oscilação de preços de alimentos básicos tende a ser menor em períodos de quebra de safra causada pelo clima.
Queda no desmatamento: 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal
O governo afirma que já vem trabalhando para diminuir os impactos climáticos antes mesmo do anúncio. Uma das ações já adotadas foi a redução no desmatamento. Os números mostram queda de 50% na Amazônia, 32,5% no Cerrado e 63% no Pantanal. Outra medida foi o processo de restauração florestal em 3,4 milhões de hectares.
Essas ações ajudam a reduzir a emissão de gases de efeito estufa, que intensificam fenômenos como o El Niño, mas também têm efeito direto na regulação do clima local.
Segurança hídrica: Rio São Francisco beneficia 12 milhões de pessoas
A seca no Nordeste é uma das maiores preocupações. Para minimizar os impactos, o governo investe na integração do Rio São Francisco. São 12 milhões de pessoas beneficiadas com investimentos nos estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Além do São Francisco, há investimentos em adutoras, canais, cisternas, novos reservatórios e barragens em recuperação. Essas obras ocorrem no Maranhão, Piauí, Bahia, Sergipe, Alagoas, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
Energia: R$ 118 bilhões em geração e diversificação da matriz
A seca reduz o nível dos rios e, com menos vazão, as hidrelétricas geram menos energia. Nesse cenário, as termelétricas, uma fonte mais cara, são ligadas, o que aumenta o custo da energia para o consumidor.
Para evitar esse problema, o governo está investindo R$ 118 bilhões em geração de energia, com diversificação da matriz. Os investimentos incluem geração eólica e solar e expansão das linhas de transmissão de onde não há problema hídrico para onde existe queda na geração.
Se você quer entender como isso afeta sua conta de luz, o caminho é acompanhar a evolução da matriz energética: quanto mais eólica e solar, menor a dependência das hidrelétricas e das termelétricas caras.
O que isso significa para você, consumidor
O pacote de R$ 1,3 bilhão tem efeito prático na sua rotina. A estocagem de alimentos ajuda a segurar preços de milho e arroz. A segurança hídrica evita racionamento em cidades do Nordeste. E a diversificação da matriz energética tende a reduzir o custo da energia em períodos de seca.
Para quem mora no Sul, as ações de Defesa Civil e correção de barragens reduzem o risco de enchentes. Para quem está no Norte e Nordeste, o reforço no combate a incêndios e as obras hídricas são o foco principal.
Como se preparar para os efeitos do El Niño
Enquanto o governo age, você pode se antecipar. Se mora em região de seca, mantenha reservas de água e evite desperdício. Se está no Sul, fique atento aos alertas da Defesa Civil e tenha um plano de emergência. E, para o bolso, acompanhe os preços de alimentos básicos e considere economizar energia em horários de pico.
Quem vive de atividades ao ar livre, como agricultura familiar ou pesca artesanal, deve ficar de olho nos programas de distribuição de cestas de alimentos, que atendem exatamente esses públicos.
Perguntas Frequentes
Quanto o governo vai investir contra o El Niño?
O total de investimentos anunciados chega a R$ 1,3 bilhão, segundo a ministra Miriam Belchior.
Quais alimentos serão estocados?
O governo vai comprar 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz para compor os estoques públicos.
Quem recebe as cestas de alimentos?
Serão adquiridas 350 mil cestas para povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais e agricultores familiares.
O que o El Niño causa no Brasil?
O fenômeno provoca seca no Norte e Nordeste, atraso das chuvas no Centro-Oeste e Sudeste, e enchentes na região Sul.
Como o El Niño afeta a energia?
Com a seca, os rios têm menos vazão para hidrelétricas, o que aumenta o custo da energia e leva ao acionamento de termelétricas mais caras. como economizar energia em períodos de seca
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