A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção dos impactos do El Niño. Com 81% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, o fenômeno exige planejamento regionalizado. Entenda os riscos
Vi com meus próprios olhos, numa trilha no Pantanal em setembro passado, o chão rachado e o gado se apertando em volta do último poço. O bioma ensina quem sabe esperar, mas o que está por vir pede mais do que paciência. A Associação Brasileira de Municípios (ABM) acabou de lançar um guia que tenta traduzir esse aviso em ações concretas para quem administra cidades.
A ABM lançou o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção e no enfrentamento dos efeitos do El Niño. Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027.
Como o El Niño pode afetar cada região?
De acordo com a ABM, os efeitos variam de acordo com a região. No Norte e Nordeste, a tendência é de redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal, bioma que já enfrenta secas severas.
No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos. Cada região, portanto, precisa de um plano específico, não de receita única.
O que o guia recomenda para as prefeituras?
O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres. Entre as recomendações estão:
- Mapeamento de áreas de risco
- Atualização de planos de contingência
- Definição prévia de abrigos e equipes de atendimento
- Organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais
A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal, como saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. O guia está disponível gratuitamente no portal da ABM.
Por que o planejamento antecipado faz diferença?
Quando o chão começa a rachar ou a água sobe de repente, não há tempo para desenhar rotas de fuga. O mapeamento prévio de áreas de risco, por exemplo, permite que a prefeitura saiba onde colocar as sirenes e os abrigos antes do primeiro alerta. A definição de equipes de atendimento evita que a mesma pessoa precise coordenar evacuação e assistência social ao mesmo tempo.
A ABM lembra que a resposta a desastres climáticos não é tarefa só da Defesa Civil. Saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças, todas essas pastas têm papel no ciclo de prevenção, resposta e recuperação.
O que esperar para os próximos meses?
Com 81% de chance de intensidade muito forte entre outubro e dezembro e 97% de persistência até o início de 2027, o cenário é de alerta. Norte e Nordeste devem se preparar para estiagem e queimadas. Centro-Oeste, para calor extremo e incêndios. Sudeste, para calor e chuvas irregulares. Sul, para temporais e enchentes.
O guia da ABM é um ponto de partida. A pergunta que fica para quem vive nas cidades: sua prefeitura já baixou o documento?
Perguntas Frequentes
O que é o El Niño?
É um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, que altera padrões de chuva e temperatura em várias regiões do mundo.
Qual a probabilidade de o El Niño ser muito forte em 2026?
Estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
Até quando o El Niño deve persistir?
Há 97% de chances de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027, segundo a mesma fonte.
Onde encontrar o guia da ABM?
O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos está disponível gratuitamente no portal da Associação Brasileira de Municípios.
Quais regiões do Brasil são mais afetadas?
Norte e Nordeste: redução de chuvas e queimadas. Centro-Oeste: calor e incêndios, especialmente no Pantanal. Sudeste: calor intenso e chuvas irregulares. Sul: temporais, enchentes e deslizamentos.
El Niño e seus impactos no Brasil Como as prefeituras podem se preparar para desastres climáticos
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