A Associação Brasileira de Municípios (ABM) lançou um guia para auxiliar prefeitos e equipes técnicas na prevenção dos efeitos do El Niño. Estudos apontam 81% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro. Saiba como as regiões podem ser afetadas.
Eu estava na borda do Pantanal, em julho, quando a baía seca rangeu sob os pés como um osso de capivara. A paisagem já mostrava cicatrizes de estiagens anteriores, mas o que os meteorologistas preveem para os próximos meses é de outra escala. A Associação Brasileira de Municípios (ABM) acabou de lançar um guia para prefeitos e equipes técnicas se prepararem para o que vem por aí: o El Niño de intensidade muito forte.
Segundo a entidade, estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. Além disso, há 97% de chances de o acontecimento permanecer ativo até o início de 2027. Isso significa que, para quem vive perto de rios ou em áreas de encosta, o calendário de riscos vai se estender por mais de um verão.
Os efeitos variam de acordo com a região, e a ABM detalhou cada cenário. Norte e Nordeste tendem a enfrentar redução das chuvas, estiagens, queda no nível dos rios, pressão sobre o abastecimento e aumento do risco de queimadas. No Centro-Oeste, o calor e a baixa umidade podem ampliar a ocorrência de incêndios, especialmente no Pantanal, bioma que já vi arder em silêncio. No Sudeste, são esperados períodos de calor intenso, baixa umidade e irregularidade das chuvas. Já o Sul apresenta maior risco de temporais persistentes, enchentes, alagamentos e deslizamentos.
O Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño e Eventos Climáticos Extremos reúne orientações para as etapas de prevenção, resposta e recuperação após desastres. Entre as recomendações estão o mapeamento de áreas de risco, a atualização de planos de contingência, a definição prévia de abrigos e equipes de atendimento e a organização de ações emergenciais, como evacuação, acolhimento de famílias e manutenção de serviços essenciais.
A entidade destaca que a resposta a desastres climáticos deve envolver diferentes áreas da administração municipal: saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças. Não adianta só a Defesa Civil saber do risco; o prefeito precisa alinhar secretarias para que, quando o rio subir ou o fogo avançar, cada um saiba exatamente o que fazer.
Para quem mora em cidade média ou pequena, onde a máquina pública é enxuta, esse guia é um mapa do tesouro às avessas: mostra onde o perigo está e como cavar trincheiras antes da tempestade. O material está disponível gratuitamente no portal da ABM. Quem conhece o chão que pisa, como eu aprendi nas trilhas do Pantanal, sabe que prever não é o mesmo que evitar, mas é o primeiro passo para não ser surpreendido.
Perguntas Frequentes
O que é o Guia Prático para Enfrentamento ao Super El Niño?
É um material lançado pela Associação Brasileira de Municípios (ABM) que orienta prefeitos e equipes técnicas na prevenção, resposta e recuperação de desastres climáticos.
Quais são as chances de o El Niño ser muito forte em 2026?
Estudos da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos apontam 81% de probabilidade de intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
O El Niño pode durar até quando?
Há 97% de chances de o fenômeno permanecer ativo até o início de 2027.
Como cada região do Brasil será afetada?
Norte e Nordeste: redução de chuvas, estiagens e risco de queimadas. Centro-Oeste: calor, baixa umidade e incêndios, especialmente no Pantanal. Sudeste: calor intenso e chuvas irregulares. Sul: temporais, enchentes e deslizamentos.
Onde encontrar o guia da ABM?
O material está disponível gratuitamente no portal da Associação Brasileira de Municípios.
Quais áreas da prefeitura devem se preparar?
Saúde, assistência social, infraestrutura, educação, meio ambiente e finanças precisam atuar juntas na resposta a desastres.
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