Viagem Internacional Atualizado em 25 de agosto de 2026 por Camila Resende

A COP17 entrou na última semana de negociações em Ulaanbaatar com a missão de destravar o financiamento para restauração de solos. Novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, ainda distantes do déficit anual de US$ 278 bilhões estimado pela ONU.

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) entrou na última e decisiva semana de negociações em Ulaanbaatar, capital da Mongólia. Os próximos quatro dias do encontro serão divididos em eixos temáticos específicos para tentar acelerar acordos. A missão central é destravar o financiamento para restauração dos solos e combate à seca.

Nesta segunda-feira (24), o foco principal são as finanças. Delegações estão mobilizadas para captar mais recursos destinados à restauração dos solos e ao combate à seca. Os investimentos anunciados durante o dia, no entanto, mostram que os objetivos ainda estão muito longe de ser alcançados. Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, mas o déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões por ano.

A secretária executiva da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmine Fouad, fez um apelo para que setores público e privado se engajem no processo. "Falamos de financiamento não para doar, mas para investir. Para mobilizar recursos que invistam nas pessoas, nas economias e na prevenção. Prevenção dos conflitos que vemos em muitas das nossas áreas de pastagem. Queremos levar a resolução para além das palavras no papel e implementá-la na vida das pessoas."

Rangelands Flagship Initiative: a maior mobilização da história

O maior anúncio econômico da COP17 envolve as pastagens, que ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas. A Rangelands Flagship Initiative, lançada em parceria pelo governo da Mongólia e a UNCCD, reúne carteira de 45 projetos e está avaliada em US$ 1,2 bilhão. Segundo os organizadores, trata-se da maior mobilização financeira da história da Convenção voltada especificamente para esses ecossistemas.

A iniciativa pretende conservar, gerir de forma sustentável e restaurar pastagens e ecossistemas de terras secas em todo o mundo. O tema é central para a Mongólia, onde a conservação das estepes está diretamente ligada à sobrevivência de comunidades que dependem da criação de animais.

Déficit exige novas formas de atuação

O especialista em economia ambiental do Mecanismo Global da UNCCD Pablo Munõz disse que o déficit financeiro exige novas formas de atuação. Entre as alternativas discutidas estão o uso de recursos públicos que reduzam riscos para investidores privados, garantias, capital de primeira perda, seguros e novos modelos de negócios. "Reconhecemos a importância das doações e do financiamento concessional [em condições mais favoráveis que as de mercado], mas a escala necessária exige pensar de forma diferente."

Atualmente, o setor privado responde por apenas cerca de 6% do financiamento global destinado à restauração de terras. Para tentar ampliar essa participação, a UNCCD anunciou uma rede de centros nacionais chamada Business4Land, voltada à aproximação entre empresas, governos e investidores.

Empresas como aliadas na restauração

A especialista em sustentabilidade no Mecanismo Global da UNCCD Sarah Toumi afirmou que empresas começam a enxergar que também sentirão os impactos ambientais. "Eles precisam mudar suas práticas para sobreviver do ponto de vista econômico, porque a seca e a degradação do solo representam um risco econômico, não apenas ambiental. Então, precisam pensar em como investir para o bem próprio."

Segundo ela, setores como agricultura, moda e alimentos dependem diretamente da saúde do solo e da disponibilidade de água. A ideia é que empresas passem a medir seus impactos sobre a terra e incluam a recuperação ambiental em suas estratégias de negócio.

Preparação para secas: novo programa do GEF

Outra aposta da COP17 é ampliar os recursos destinados à preparação para os períodos de seca. O Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês) anunciou a criação de um programa integrado para gestão de terras, com previsão inicial de US$ 140 milhões. A iniciativa pretende auxiliar países a abandonar uma lógica baseada na resposta a emergências e investir mais em prevenção, monitoramento e planejamento, explica Ulrich Appel, representante do GEF.

"Isso ajudará os países a ter um planejamento rodoviário nacional mais robusto, soluções baseadas na natureza e investimentos que fortaleçam a resiliência antes que a seca se torne um desastre", disse Ulrich.

O que esperar dos próximos dias

A semana decisiva da COP17 em Ulaanbaatar testa a capacidade das delegações de transformar promessas em compromissos concretos. Os números anunciados até aqui mostram um caminho longo: US$ 1,3 bilhão captados contra uma necessidade anual de US$ 278 bilhões. A aposta em novos instrumentos financeiros e na participação privada pode ser o diferencial para acelerar os acordos.

Perguntas Frequentes

O que é a COP17?

A COP17 é a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação, realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, para discutir ações contra a degradação do solo e a seca.

Qual é o déficit de financiamento?

O déficit anual estimado pelos especialistas das Nações Unidas é de US$ 278 bilhões para restauração de solos e combate à seca.

Quanto foi anunciado até agora?

Os novos recursos somam US$ 1,3 bilhão, incluindo US$ 1,2 bilhão da Rangelands Flagship Initiative e US$ 140 milhões do programa do GEF.

O que é a Business4Land?

É uma rede de centros nacionais lançada pela UNCCD para aproximar empresas, governos e investidores e ampliar a participação privada no financiamento.

Por que as pastagens são centrais?

As pastagens ocupam mais da metade da superfície terrestre e são fundamentais para a subsistência de centenas de milhões de pessoas, especialmente na Mongólia.

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