Viagem Internacional Atualizado em 25 de agosto de 2026 por Camila Resende

Organizações sociais rejeitaram a agenda oficial da COP17, em Ulaanbaatar, após exclusão de temas de gênero e participação social. CSO Panel, com 1,2 mil entidades, criticou o documento.

A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), em Ulaanbaatar, na Mongólia, começou com uma decepção para organizações sociais. A agenda oficial, que define os pontos de negociação entre os governos, foi aprovada sem incluir temas de gênero e participação social. A retirada ocorreu depois que os Estados Unidos se opuseram aos assuntos. Brasil e União Europeia defenderam a manutenção, mas o consenso entre as 197 partes da convenção, exigido para a aprovação, não foi alcançado.

O Civil Society Organization (CSO) Panel, que reúne cerca de 1,2 mil organizações pelo mundo, rejeitou o documento. Em nota, a comunidade afirmou estar "chocada e profundamente preocupada" com a decisão. O entendimento é que os governos sinalizaram preferir focar em aspectos técnicos e econômicos, deixando de lado os impactos sociais da desertificação e da seca. O risco, segundo as organizações, é que o resultado final da COP17 seja tecnocrático e distante da realidade das populações que mais sofrem com os problemas da terra.

"Comunidades locais, povos indígenas, agricultores, pastores, mulheres, jovens, pesquisadores e organizações da sociedade civil trazem conhecimento, experiência e soluções dos territórios onde a degradação do solo, a desertificação e a seca são enfrentadas diariamente", informa a nota do CSO Panel. As organizações insistiram que as decisões no evento precisam ser coletivas: políticos, cientistas e empresas não podem enfrentar sozinhos problemas que afetam milhões de pessoas no planeta.

O texto oficial também não prevê processos para integrar melhor as três convenções das Nações Unidas sobre meio ambiente: a da Terra (UNCCD), da Biodiversidade (CBD) e do Clima (UNFCCC). Esse é um dos pontos centrais defendidos por especialistas para torná-las mais efetivas. As três convenções nasceram a partir da Rio 92, evento que deu origem às discussões e tratados modernos de meio ambiente e clima. No ano passado, durante a 30ª Conferência Sobre Mudanças Climáticas (COP30), líderes das três convenções lançaram a Declaração Conjunta de Belém sobre as Convenções do Rio. O documento destacou que as crises de clima, biodiversidade e degradação do solo estão interligadas e que tratar esses temas de forma isolada prejudica o desenvolvimento sustentável e a eficácia global das medidas de proteção ambiental.

A Agência Brasil acompanha a COP17 da Desertificação diretamente da Mongólia, em parceria com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), que selecionou seis repórteres de diferentes continentes com uma bolsa de jornalismo para cobrir a conferência.

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