Destinos Nacionais Atualizado em 28 de julho de 2026 por Sérgio Tavares

O Pantanal abriga a maior concentração de onças-pintadas da América do Sul, com densidade estimada em até 10 indivíduos por 100 km². A combinação de habitat alagado, presas abundantes e baixa pressão humana explica esse recorde ecológico.

O Pantanal concentra a maior população de onças-pintadas da América do Sul, com densidades que chegam a 10 indivíduos por 100 km² em áreas protegidas. Esse recorde ecológico não é acaso: resulta de uma combinação específica de fatores ambientais e históricos que tornam o bioma um refúgio único para a espécie.

Qual é a densidade de onças-pintadas no Pantanal?

Pesquisas de monitoramento por armadilhas fotográficas e rádio-colar estimam que a densidade populacional no Pantanal varia entre 6 e 10 onças-pintadas por 100 km². Esse número é de duas a três vezes maior que o registrado na Amazônia (2 a 4 por 100 km²) e no Cerrado (1 a 3 por 100 km²). A estimativa total para o bioma gira em torno de 2 mil a 3 mil indivíduos, segundo levantamentos do Instituto Onça-Pintada.

Por que o Pantanal oferece tantas presas para a onça-pintada?

A onça-pintada depende de presas de médio e grande porte para sustentar sua biomassa. O Pantanal abriga uma das maiores densidades de capivaras do continente, estimada em até 50 indivíduos por km² em áreas alagadas, além de jacarés, cervos-do-pantanal e queixadas. Estudos mostram que a dieta da onça no Pantanal é composta por cerca de 85% de capivaras e jacarés, duas espécies que se reproduzem rapidamente nos ciclos de cheia e seca.

Como o ciclo de cheias e secas favorece a onça-pintada?

O pulso de inundação anual do Pantanal cria um mosaico dinâmico de habitats. Durante a cheia, as presas se concentram em áreas elevadas (cordilheiras e capões), facilitando a caça. Na seca, os corpos d'água encolhem e reúnem peixes, jacarés e capivaras em lagoas remanescentes. Esse movimento sazonal mantém a disponibilidade de alimento ao longo do ano, ao contrário de biomas onde a oferta é mais sazonal ou dispersa.

A baixa densidade humana explica a concentração?

Sim, mas com ressalvas. O Pantanal tem cerca de 1 habitante por km², uma das menores densidades populacionais do Brasil. No entanto, a pecuária extensiva ocupa 95% das terras privadas do bioma. A convivência histórica entre fazendeiros e onças, com baixo índice de retaliação por predação de gado, estimado em menos de 3% do rebanho, criou uma tolerância que difere de outras regiões, onde a caça de retaliação é mais intensa.

O Pantanal é o melhor local para conservar a onça-pintada?

O monitoramento mostra um quadro mais delicado. Embora o Pantanal tenha a maior densidade atual, as queimadas de 2020 afetaram cerca de 30% do bioma, reduzindo temporariamente a disponibilidade de presas e abrigo. Além disso, a construção de hidrelétricas na bacia do Alto Paraguai e o avanço do desmatamento no Planalto dos Parecis ameaçam o regime de cheias. Cada espécie sustenta o equilíbrio do bioma, e a onça-pintada funciona como espécie guarda-chuva: conservá-la protege todo o ecossistema pantaneiro.

FAQ

Quantas onças-pintadas existem no Pantanal?

Estima-se entre 2 mil e 3 mil indivíduos adultos, o que representa cerca de 30% a 40% da população total da espécie no Brasil. É a maior concentração contínua da América do Sul, segundo dados do Instituto Onça-Pintada.

A onça-pintada do Pantanal é maior que a da Amazônia?

Sim, em média. Estudos de biometria indicam que machos adultos no Pantanal pesam entre 100 e 150 kg, enquanto na Amazônia a média fica entre 80 e 110 kg. A maior disponibilidade de presas de grande porte no Pantanal pode explicar a diferença.

O que ameaça a onça-pintada no Pantanal?

As principais ameaças são as queimadas, a perda de habitat por conversão de áreas nativas em pastagem, a construção de hidrelétricas que alteram o regime de cheias e o conflito com pecuaristas, embora este seja menor que em outros biomas.

Como é feito o monitoramento da onça-pintada no Pantanal?

Pesquisadores usam armadilhas fotográficas com câmeras de movimento, rádio-colar com GPS e coleta de amostras genéticas (fezes e pelos). Esses métodos permitem estimar densidade, área de vida e dieta sem capturar os animais.

O turismo de observação ajuda a conservar a onça?

Sim, quando bem manejado. O turismo de observação no Pantanal gera receita para fazendas que mantêm áreas preservadas e reduz a retaliação contra onças, já que um animal vivo vale mais para o turismo do que morto para o pecuarista.

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